31 de julho de 2025
CCJ DA CÂMARA

Ex-assessor do TSE acusa Alexandre de Moraes de direcionar monitoramento contra direita nas eleições de 2022

Em depoimento à CCJ, Eduardo Tagliaferro citou deputada Carla Zambelli como alvo e afirmou possuir documentos que comprovariam a perseguição

Por Redação
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O depoimento de Tagliaferro foi colhido por videoconferência - Foto: Renato Araújo/Câmara dos Deputados

Em um depoimento impactante à Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara dos Deputados, o ex-assessor do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) Eduardo Tagliaferro afirmou que o monitoramento de redes sociais durante as eleições de 2022 foi direcionado de forma seletiva contra personalidades ligadas à direita. Segundo seu relato, as ordens partiam do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes.

Tagliaferro, que chefiava a Assessoria Especial de Enfrentamento à Desinformação do TSE, foi ouvido como testemunha no processo que analisa a cassação da deputada licenciada Carla Zambelli (PL-SP). O ex-assessor, que foi exonerado em 2023 e atualmente reside na Itália aguardando um processo de extradição, fez suas declarações por videoconferência.

O depoente foi enfático ao nomear a deputada Carla Zambelli como um dos principais alvos da operação. “O que eu tenho comigo são relatórios produzidos, e-mails encaminhados oficialmente ao gabinete do ministro e várias conversas de WhatsApp, onde se vê claramente que Carla Zambelli era um alvo. Havia uma intenção persecutória. Inclusive, em algumas mensagens, se dizia: ‘Vamos pegar ela’”, declarou Tagliaferro em resposta ao relator do caso, deputado Diego Garcia (Republicanos-PR).

Acusações e Defesa

Tagliaferro sustentou que os pedidos de monitoramento eram constantes e focavam em figuras com grande alcance digital que publicavam críticas às urnas eletrônicas, ministros do STF ou supostas tentativas de manipulação eleitoral. Ele afirmou ter apresentado prints de conversas à CCJ para corroborar suas acusações.

Questionado pelo deputado Pompeo de Mattos (PDT-RS) sobre por que não divulga as supostas provas que diz possuir, Tagliaferro alegou que não foi ouvido pela imprensa e desconfia dos órgãos de investigação brasileiros, que classificou como ligados ao ministro Alexandre de Moraes. Ele ainda revelou que foi contactado pelo governo dos Estados Unidos para entregar o material, finalizando com a declaração: “Eu não tenho lado político. Enquanto eu tiver vida e liberdade, vou denunciar onde eu puder”.

Em nota divulgada anteriormente, o ministro Alexandre de Moraes já se defendeu de críticas similares, afirmando que todas as solicitações feitas ao TSE para subsidiar inquéritos sobre fake news e milícias digitais são legítimas, uma vez que a Corte detém poder de polícia para elaborar relatórios sobre atividades ilícitas.

Contexto do Caso Zambelli

O depoimento ocorre no processo de Representação 2/25, que trata da possível cassação do mandato de Carla Zambelli. A deputada encontra-se presa na Itália, também aguardando julgamento sobre um pedido de extradição. Ela foi condenada pela invasão ao sistema do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) em conjunto com o hacker Walter Delgatti Neto, crime que incluiu a inserção de um mandado de prisão falso contra o próprio ministro Alexandre de Moraes.