31 de julho de 2025
CÂMARA FEDERAL

Ex-assessor do TSE acusa Alexandre de Moraes de perseguição a Carla Zambelli em depoimento na CCJ

Eduardo Tagliaferro afirmou que ministro pedia relatórios semanais sobre redes sociais da deputada. Ex-assessor é réu por vazamento de mensagens e está foragido na Itália

Por Redação
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Depoimento de Tagliaferro a CCJ da Câmara dos Deputados. - Foto: Lula Marques/Agência Brasil

O ex-assessor do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) Eduardo Tagliaferro declarou nesta quarta-feira (17) à Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara que o ministro Alexandre de Moraes mantinha um monitoramento sistemático das redes sociais da deputada licenciada Carla Zambelli (PL-SP) quando presidia a Corte Eleitoral. Tagliaferro, que chefiou a Assessoria Especial de Enfrentamento à Desinformação no TSE entre 2022 e 2023, afirmou que recebia pedidos "duas, três, quatro vezes por semana" para produzir relatórios sobre a parlamentar.

"Era uma perseguição ativa, constante. Qualquer coisa que envolvesse Carla Zambelli em rede social acabava caindo no foco", testemunhou Tagliaferro, que participou da sessão como testemunha no processo de cassação da deputada. Segundo ele, a inspeção era realizada por servidores do gabinete de Moraes por meio de ferramentas de inteligência, e incluía conversas de WhatsApp onde supostamente se lia: "Vamos pegar ela".

Contexto processual complexo

Tagliaferro é réu em processo no STF movido pelo procurador-geral Paulo Gonet, que o acusa de:

  • Violação de sigilo funcional
  • Obstrução de investigação
  • Tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito

O ex-assessor, que está foragido na Itália, alega que Moraes fraudou relatórios para justificar operação contra empresários bolsonaristas em 2022 - acusação negada pelo ministro.

Situação de Carla Zambelli

A deputada encontra-se presa na Itália aguardando julgamento de extradição para o Brasil. Foi condenada pelo STF a 10 anos de prisão por invadir o sistema do CNJ junto ao hacker Walter Delgatti, que em depoimento na semana passada confirmou o comando direto de Zambelli nos crimes.

O processo de cassação do mandato da parlamentar tramita na CCJ e posteriormente será votado em plenário.