31 de julho de 2025
Voepass

Relatório aponta fadiga de pilotos como possível causa de acidente aéreo que matou 62 pessoas

Ministério do Trabalho multa Voepass/Passaredo em R$ 730 mil por escalas que reduziam tempo de descanso da tripulação e por descumprir lei do setor

Por Redação
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58 pessoas morreram na queda do avião - Foto: Secretária de Segurança de São Paulo/Divulgação

Um relatório do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) apontou que a fadiga dos pilotos pode ter sido um fator decisivo no grave acidente com o avião da Voepass/Passaredo, ocorrido em 9 de agosto de 2024. O acidente resultou na morte de 58 passageiros e quatro tripulantes.

De acordo com a auditoria, a empresa operava com escalas de voo que não garantiam o tempo mínimo de descanso estabelecido por lei para a tripulação. Essa prática, segundo o MTE, provavelmente levou os profissionais a um nível de cansaço extremo, prejudicando sua concentração e tempo de reação durante o voo 2283.

"Essa conclusão foi que a empresa montou escalas que reduziram o tempo de descanso da tripulação, o que pode ter causado cansaço em um nível capaz de prejudicar a concentração e o tempo de reação dos profissionais. Esse fator, somado a outras possíveis causas, pode ter contribuído para o acidente", destacou o documento.

O relatório concluiu que a Voepass/Passaredo descumpria sistematicamente a Lei dos Aeronautas e as cláusulas da Convenção Coletiva de Trabalho destinadas a prevenir a fadiga. Além disso, a empresa não realizava um controle efetivo da jornada de trabalho de seus funcionários.

As irregularidades constatadas resultaram na lavratura de dez autos de infração contra a empresa, com multas que totalizam aproximadamente R$ 730 mil. A Voepass também foi notificada por não recolher mais de R$ 1 milhão ao Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) de seus empregados. A empresa tem direito a apresentar recurso contra as penalidades.

A Voepass/Passaredo já enfrentava sérias dificuldades operacionais. A Agência Nacional de Aviação Civil (ANAC) cassou a certificação de operação da empresa em junho, após ter suspendido suas operações aéreas em março. Em abril de 2025, a companhia aérea ingressou com um pedido de recuperação judicial.