31 de julho de 2025
SESSÃO NESTA QUINTA

CPMI do INSS convocará familiares e sócios de "Careca do INSS" em resposta à negativa de depoimento

Após Carlos Camilo e Maurício Camisotti se recusarem a depor, comissão decide ouvir seis testemunhas próximas para investigar esquema de fraudes previdenciárias. Sessão será na quinta-feira (18).

Por Redação
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Presidente da CPMI, o senador Carlos Viana convocou reunião extraordinária para votar os requerimentos - Foto: Carlos Moura/Agência Senado

A CPMI que investiga fraudes no INSS marcará para esta quinta-feira (18) a oitiva de seis testemunhas diretamente ligadas aos dois principais investigados do esquema, Carlos Camilo Antunes, o "Careca do INSS", e o empresário Maurício Camisotti. A decisão de convocar esposas, filhos e sócios foi tomada em acordo entre líderes do governo e oposição e é uma resposta direta à recusa dos dois presos em depor perante os parlamentares.

O presidente da comissão, senador Carlos Viana (Podemos-MG), explicou que a medida é uma reação à "falta de seriedade" das defesas de Camilo e Camisotti, que descumpriram o acordo feito para comparecimento. A convocação dos novos depoentes será votada em reunião extraordinária nesta terça-feira (16). A intenção do colegiado é ouvir todos no mesmo dia, concentrando as investigações.

Entre os convocados estão Tânia Carvalho dos Santos, esposa e sócia de Carlos Camilo; Romeu Carvalho Antunes, filho e também sócio do "Careca"; e os sócios Rubens Oliveira Costa e Milton Salvador de Almeida Júnior. Do lado de Maurício Camisotti, foram chamados sua esposa e sócia, Cecilia Montalvão, e o advogado Nelson Willians, que mantém transações bancárias suspeitas com o empresário.

O relator da CPMI, deputado Alfredo Gaspar (União-AL), afirmou que todos foram convocados inicialmente como testemunhas, mas que essa condição pode mudar após os depoimentos. Gaspar ressaltou que foram os próprios investigados, ao se recusarem a cooperar, que expuseram seus familiares ao escrutínio da comissão. As linhas de questionamento buscarão apontar os responsáveis diretos pelas fraudes e identificar quem deu sustentação política ao esquema.

O vice-presidente da CPMI, deputado Duarte Jr (PSB-PI), reforçou a legalidade da medida. Ele lembrou que, embora os convocados tenham o direito constitucional de permanecerem calados para não produzir provas contra si mesmos (direito à não autoincriminação), a presença física na comissão é obrigatória. A CPMI, portanto, estaria exercendo seu papel constitucional de investigação ao exigir o comparecimento das testemunhas.