Casamentos no Brasil: número de uniões cai 3% e duração média diminui para 13 Anos, aponta IBGE
Especialista em psicologia analisa seis pilares essenciais para relacionamentos duradouros em meio a mudanças de comportamento da sociedade
Publicado em
Os brasileiros estão se casando menos e por menos tempo, segundo dados recentes do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Em 2023, o país registrou 940.799 casamentos, uma redução de 3% em relação a 2022 (970.041) e de 12,6% na comparação com 2021 (1.076.280). A queda é consistente desde 2015, refletindo uma mudança significativa no perfil social e afetivo da população.
Além da redução no número de uniões, o tempo médio de duração dos casamentos também encolheu. Em 2010, um casamento durava cerca de 16 anos. Agora, entre 2022 e 2024, a média caiu para 13 anos e 8 meses. Para a psicóloga e psicanalista Blenda Oliveira, doutora pela PUC-SP, essa transformação está diretamente ligada à evolução do significado do matrimônio ao longo das décadas.
“Há 50 anos, manter um casamento era questão de sobrevivência, negócios ou medo do julgamento social. Hoje, o sentimento vem em primeiro lugar, e isso torna a relação mais complexa e volátil”, explica Blenda.
A especialista elencou seis aspectos-chave para a construção de uma relação saudável e duradoura:
- Compatibilidade psicológica: Liberdade para compartilhar sentimentos e opiniões sem medo de julgamento ou represálias.
- Saber conviver a dois: Adaptar decisões individuais considerando as necessidades e expectativas do parceiro.
- Graus de consenso: Não é preciso ter visões idênticas, mas é essencial conseguir chegar a decisões complementares.
- Atração e vida sexual: Mantém a intimidade e o vínculo, ainda que a intensidade possa variar ao longo do tempo.
- Resiliência a pressões externas: Apoio mútuo em momentos de frustrações ou desafios profissionais, familiares e pessoais.
- Vantagens em permanecer juntos: A relação deve trazer segurança, acolhimento e motivos para ambos seguirem unidos.
Blenda ressalta que não existe fórmula mágica ou manual para um casamento perfeito, mas sim a necessidade de cuidado diário, disposição e paciência de ambas as partes. “Cada casal é único. O importante é que, se houver amor e disponibilidade, é possível fortalecer os aspectos que ainda não estão totalmente consolidados”, finaliza.
Os dados do IBGE e as reflexões da especialista sugerem que, embora os casamentos estejam mais curtos e menos frequentes, a busca por relacionamentos significativos e conscientes permanece uma prioridade para muitos brasileiros.