Alagoas registra quase 4 mil casos de desaparecimento nos últimos sete anos
Jovens e homens pardos são as principais vítima
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O Ministério Público do Estado de Alagoas (MP/AL) divulgou dados do Programa de Localização de Desaparecidos (PL/AL), que mostram que, de 2018 até agora, 3.994 pessoas foram dadas como desaparecidas no estado. Neste sábado, 30 de agosto, é lembrado o Dia da Pessoa Desaparecida, conforme a Lei nº 9.038/2023.
A coordenadora do PLID/AL, promotora de Justiça Marluce Falcão, ressaltou o que deve ser feito ao se confirmar o desaparecimento.
“Primeiramente, deve-se registrar um Boletim de Ocorrência de Desaparecimento de Pessoa na Polícia Civil e, para isso, não é necessário esperar 24 horas. Considerando as circunstâncias e saindo da normalidade, pode-se fazer o BO o quanto antes. Depois, deve-se encaminhar o Boletim de Ocorrência ao WhatsApp oficial do PLID/AL, que é o (82) 99182-0121, acompanhado de uma foto atualizada da pessoa desaparecida”, detalhou.
De acordo com a promotora, caso o desaparecido seja uma criança, adolescente ou pessoa vulnerável, é necessário comunicar oficialmente o desaparecimento às autoridades. Caso não haja o comunicado por parte do responsável legal, há a configuração de omissão, o que é considerado crime. Nesses casos, a lei estabelece a busca imediata.
O Ministério Público conta com uma rede de 30 órgãos para atuar de forma imediata, quando o comunicado do desaparecimento da pessoa se torna oficial.
“Por meio do PLID/AL, é adotado o protocolo recomendado, com a convocação dos órgãos públicos integrantes da rede de busca, como Polícia Civil, Polícia Militar, Polícia Científica, Corpo de Bombeiros Militar, Guarda Municipal de Maceió, Polícia Federal, Polícia Rodoviária Federal, órgãos da saúde pública, assistência social, dentre outros importantes órgãos, evitando, assim, a peregrinação da família em hospitais, IML, delegacias, dentre outros locais”, explicou a promotora de Justiça.
“Este dia 30 de agosto será dedicado à conscientização e à prevenção ao fenômeno social do desaparecimento de pessoas, conforme estabelecido na Lei nº 9.038/2023, de autoria da deputada Fátima Canuto”, acrescentou a promotora.
Perfil dos desaparecidos
Conforme dados do PLID/AL, por meio da plataforma SINALID (Cadastro Nacional de Desaparecidos), 61,70% dos desaparecidos em Alagoas são do sexo masculino, e 37,26%, do sexo feminino.
Faixa etária:
O maior grupo de desaparecidos é o de jovens entre 12 e 17 anos, que somam 31,18%, seguido por adultos de 31 a 40 anos (17,41%) e de 18 a 24 anos (16,59%).
Cor da pele:
- 76,06% são pardos;
- 17,46% são brancos;
- 5,16% são pretos;
- 1,35% são amarelos.
Causas dos desaparecimentos:
- 37,61% sem motivo aparente;
- 18,36% por conflito intrafamiliar;
- 12,70% por problemas psiquiátricos;
- 9,80% por perda de contato voluntário;
- 6,83% por dependência química;
- 6,21% por possível vítima de homicídio;
- 6,07% por possível vítima de sequestro;
- 1,24% por envolvimento com o tráfico de entorpecentes;
- 1,04% devido à institucionalização – paradeiro desconhecido;
- 0,62% por abandono;
- 0,41% por apreensão ou prisão;
- 0,14% por possível vítima de acidente;
- 0,07% por subtração para exploração sexual;
- 0,07% por possível óbito não comunicado (exceto homicídio);
- 0,07% por possível vítima de feminicídio;
- 0,07% por possível vítima de afogamento.
Em todo o Brasil, a plataforma SINALID registra 109.029 cadastros de pessoas desaparecidas.