Por: Redação
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, deu novos detalhes sobre a possível partilha de territórios ucranianos ocupados pela Rússia, durante entrevista à Fox News nesta terça-feira (19). Após a cúpula com o presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, e líderes europeus na Casa Branca, Trump afirmou que a Ucrânia ficará com “muito território”, mas não especificou quais regiões — atualmente sob controle russo — seriam devolvidas.
Sobre as garantias de segurança para evitar novos ataques à Ucrânia, Trump foi claro ao afirmar que “haverá algum tipo de segurança, mas não nos moldes da Otan”. A declaração contrasta com o pedido de Zelensky e de líderes europeus — como a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen —, que defendem um mecanismo de defesa similar ao Artigo 5 da Aliança Atlântica.
Enquanto Trump declarou não ter “certeza” se Vladimir Putin deseja fechar um acordo — e prometeu saber a resposta “nas próximas duas semanas” —, a Rússia deu sua primeira sinalização positiva. O chanceler Sergei Lavrov afirmou que Moscou “a Rússia não rejeita nenhum formato para discutir o processo de paz na Ucrânia” e sugeriu disposição para abrir mão de parte dos territórios ocupados, desde que receba garantias de segurança.
Do lado ucraniano, no entanto, a posição permanece firme: Zelensky rejeita ceder qualquer território e insiste em garantias de segurança robustas, nos moldes da Otan. Um rascunho da proposta russa, obtido pela Reuters, prevê a retirada parcial de tropas, mas exige que Kiev reconheça a anexação da Crimeia, abra mão de ingressar na Otan e aceite o controle russo sobre parte do Donbas.
O encontro em Washington também reflete uma tentativa da Europa de aproximação com Trump, que vem sendo cortejado após a reunião no Alasca com Putin. Fontes do The New York Times indicam que Trump planeja uma cúpula trilateral ainda nesta sexta-feira (22), desde que Zelensky aceite negociar territórios — condição que o presidente ucraniano sempre rejeitou publicamente.
Foto: SAUL LOEB / AFP