Reportagem aponta que posts com elogios a Flávio Bolsonaro e Tarcísio foram pagos por patrocínio da Caixa ao atletismo
Publicações feitas por ex-atletas contratados em programa vinculado ao banco estatal promoveram agentes políticos, prática vedada pelas regras do contrato e pelo princípio da impessoalidade
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Uma reportagem publicada pela coluna do jornalista Demétrio Vecchioli, no Metrópoles, afirma que recursos do patrocínio da Caixa Econômica Federal à Confederação Brasileira de Atletismo (CBAt) financiaram publicações em redes sociais que exaltaram o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos).
Segundo a coluna, o banco mantém o programa "Ídolos do Atletismo Loterias Caixa", por meio do qual ex-atletas são contratados para divulgar o atletismo nas redes sociais. Como contrapartida, eles devem realizar publicações mensais marcando os perfis da Caixa e das Loterias Caixa, com foco exclusivo na promoção da modalidade esportiva.
A reportagem sustenta que parte dessas publicações passou a incluir manifestações de apoio a pré-candidatos e lideranças políticas. Um dos casos citados envolve o ex-velocista André Domingos, que publicou fotos ao lado de Jair Bolsonaro, declarou apoio a Flávio Bolsonaro e também compartilhou imagens com Tarcísio de Freitas utilizando as marcações exigidas pelo contrato do programa. A coluna também menciona postagens do campeão olímpico Joaquim Cruz com agradecimentos ao governador paulista durante a reinauguração da pista do Ibirapuera.
De acordo com a publicação, o contrato firmado entre a CBAt e os participantes do programa proíbe manifestações político-partidárias nas postagens realizadas como contrapartida ao patrocínio. A coluna afirma ainda que esse tipo de divulgação contraria o princípio constitucional da impessoalidade, que impede o uso de recursos públicos para promoção pessoal de agentes políticos.
Procurada pelo Metrópoles, a Caixa Econômica Federal informou que não possui contrato direto com os atletas e que a responsabilidade pelo cumprimento das obrigações previstas cabe à CBAt. Em nota, o banco afirmou que atua em conformidade com a legislação e que não realiza ações de comunicação ou patrocínio com a finalidade de apoiar, promover ou beneficiar candidaturas, pré-candidaturas ou agentes políticos. A confederação informou que não comentaria o caso.