31 de julho de 2025
economia

Tarifa dos EUA deve atingir quase 4 mil produtos brasileiros, aponta CNI

Nova sobretaxa fará com que parte das exportações brasileiras ao mercado americano passe a enfrentar tributação

Por Redação
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A medida entra em vigor nesta sexta-feira (24) - Foto: luzitanija/ Adobe Stock

A nova tarifa adicional de 12,5% aplicada pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros deve atingir 4.060 itens exportados pelo Brasil, segundo levantamento divulgado pela Confederação Nacional da Indústria (CNI).

De acordo com a entidade, 3.985 desses produtos já estavam sujeitos a uma sobretaxa de 25% e passarão a ter uma tributação total de 37,5% para entrar no mercado americano. Esse grupo representa US$ 10,8 bilhões em exportações, o equivalente a 80,7% dos produtos afetados pela medida.

Outros 75 produtos, que somam US$ 1,6 bilhão em vendas aos Estados Unidos, serão impactados apenas pela nova alíquota de 12,5%, sem a cobrança adicional anterior.

A medida entra em vigor nesta sexta-feira (24) e, segundo a CNI, alcançará US$ 12,4 bilhões em exportações brasileiras, o equivalente a 29,4% de todas as vendas do país ao mercado americano.

Quase metade das exportações terá sobretaxa

No total, a CNI estima que 48,7% das exportações brasileiras destinadas aos Estados Unidos passarão a estar sujeitas a algum tipo de tarifa adicional.

A cobrança ocorre após uma investigação conduzida pelo Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR), com base na Seção 301 da legislação comercial americana. O processo apontou preocupações relacionadas à importação de produtos fabricados com trabalho forçado.

CNI contesta justificativas dos EUA

A Confederação Nacional da Indústria afirmou que as justificativas apresentadas pelos Estados Unidos não refletem a realidade brasileira. Segundo a entidade, o Brasil possui mecanismos de fiscalização e leis voltadas ao combate ao trabalho forçado reconhecidos internacionalmente.

O presidente da CNI, Ricardo Alban, defendeu a continuidade das negociações entre os dois países para reduzir os impactos da medida sobre as empresas brasileiras.

"É essencial que o diálogo entre Brasil e Estados Unidos seja mantido e aprofundado", afirmou.

A investigação comercial dos Estados Unidos envolveu 60 parceiros internacionais. Na decisão final, o Brasil foi incluído entre os países que, segundo o governo americano, não teriam aplicado medidas consideradas suficientes para impedir a entrada de produtos associados ao trabalho forçado.