31 de julho de 2025
INVESTIGAÇÃO

Polícia apura se cirurgia realizada por engano contribuiu para morte de idosa em hospital de Campinas

Paciente de 76 anos passou por procedimento destinado a outra pessoa e morreu três dias depois; caso é investigado como homicídio culposo

Por Redação
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Jandira Marina Dias Braga, paciente com câncer, passou por cirurgia destinada a outra pessoa no Hospital Beneficência Portuguesa, em Campinas (SP), e morreu três dias depois. - Foto: Reprodução/EPTV

A Polícia Civil de Campinas (SP) investiga se uma cirurgia realizada por engano em uma paciente de 76 anos teve relação com a morte dela e busca identificar os responsáveis pela troca de pacientes no Hospital Beneficência Portuguesa.

Jandira Marina Dias Braga morreu três dias após ser submetida, por engano, a uma gastrostomia endoscópica — procedimento indicado para outro paciente. Ela estava internada para tratar uma obstrução intestinal provocada pela recorrência de um câncer de cólon.

O inquérito foi instaurado após familiares registrarem um boletim de ocorrência. O caso foi classificado, inicialmente, como homicídio culposo, quando não há intenção de matar.

Segundo a Polícia Civil, serão ouvidos os profissionais envolvidos no atendimento da paciente, desde a internação até a realização da cirurgia, para esclarecer como ocorreu a troca de pacientes e verificar eventual responsabilidade dos envolvidos.

Hospital admite erro

Em nota, o Hospital Beneficência Portuguesa reconheceu que houve falha na identificação da paciente, informou ter instaurado uma sindicância interna e adotado medidas administrativas, incluindo o desligamento de profissionais envolvidos no caso.

A unidade também afirmou que uma avaliação médica concluiu que o procedimento realizado por engano "não alterou o prognóstico da paciente".

A família, no entanto, contesta essa conclusão e afirma que o estado de saúde de Jandira se agravou após a cirurgia, comprometendo o tratamento contra o câncer.

Conselhos profissionais acompanham o caso

Além da investigação policial, o caso também é apurado pelo Conselho Regional de Medicina do Estado de São Paulo (Cremesp) e pelo Conselho Regional de Enfermagem de São Paulo (Coren-SP).

O Cremesp instaurou sindicância para avaliar a conduta dos médicos envolvidos. Já o Coren-SP informou que iniciou os procedimentos de apuração previstos na legislação da categoria e que ainda não havia recebido comunicação formal do hospital sobre o caso.

Paciente morreu após complicações

De acordo com registros médicos, após a cirurgia realizada por engano, Jandira apresentou confusão mental, queda da pressão arterial, redução da oxigenação e alterações no ritmo cardíaco, sendo transferida para a Unidade de Terapia Intensiva (UTI).

A paciente morreu em 11 de julho, após a adoção de cuidados paliativos.

Segundo familiares, ela havia recebido diagnóstico de um novo câncer de cólon sem metástase e estava prestes a iniciar tratamento quimioterápico, considerado promissor pela equipe médica que a acompanhava.