31 de julho de 2025
Medalhista Olímpica

Fim de uma era: Ketleyn Quadros anuncia aposentadoria e encerra carreira como pioneira do esporte olímpico brasileiro

Primeira brasileira a conquistar uma medalha olímpica individual deixa os tatames aos 38 anos e celebra legado que transformou o judô feminino no país

Por Raphael Medeiros
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Ketleyn Quadros, do judô, com medalha de bronze olímpica - Foto: Foto: Paul Gilham/Getty Images

Uma das maiores referências da história do judô brasileiro, Ketleyn Quadros anunciou a aposentadoria das competições. Aos 38 anos, a atleta encerra uma trajetória marcada por feitos históricos e pelo protagonismo na consolidação do esporte feminino no Brasil. A despedida oficial aconteceu nesta quarta-feira (22), durante a Seletiva Nacional Sênior, realizada no Ginásio do Sogipa, em Porto Alegre (RS), onde foi homenageada pela Confederação Brasileira de Judô (CBJ).

Em reconhecimento à contribuição para o desenvolvimento da modalidade, Ketleyn recebeu uma placa comemorativa da entidade e um buquê de flores entregue pelas treinadoras Andréa Berti e Rosicleia Campos, que acompanharam boa parte de sua carreira. Durante a cerimônia, um vídeo relembrou o momento que mudou a história do esporte brasileiro: a conquista da medalha de bronze nos Jogos Olímpicos de Pequim, em 2008.

Natural de Ceilândia (DF), Ketleyn entrou para a história ao se tornar a primeira mulher brasileira a conquistar uma medalha olímpica em uma modalidade individual. O feito abriu caminho para uma nova geração de atletas e transformou a presença feminina no esporte de alto rendimento.

O anúncio da aposentadoria foi feito por meio das redes sociais. Em uma mensagem emocionante, a judoca afirmou que o maior legado de sua carreira vai além das medalhas conquistadas.

"Tive o privilégio de representar o Brasil nos principais palcos do mundo. Em 2008, conquistei uma medalha olímpica que marcou minha trajetória. Mas, com o passar dos anos, percebi que o maior significado daquela conquista não estava apenas na medalha. Estava nas portas que ela ajudou a abrir. Se hoje mais meninas acreditam que podem chegar lá, então sinto que minha missão foi muito maior do que qualquer pódio."

Nos Jogos de Pequim, Ketleyn venceu quatro das cinco lutas disputadas para garantir o bronze na categoria até 57 kg. Dezesseis anos depois, voltou a fazer história ao integrar a equipe brasileira que conquistou a inédita medalha de bronze por equipes mistas nos Jogos Olímpicos de Paris 2024. Entre uma conquista e outra, também representou o Brasil em Tóquio 2020, somando três participações olímpicas.

Ao longo da carreira, a judoca construiu um currículo repleto de títulos internacionais. Além das duas medalhas olímpicas, conquistou três pódios em Campeonatos Mundiais por Equipes, oito medalhas em Grand Slams, oito em etapas de Grand Prix, cinco em Copas do Mundo e um bronze nos Jogos Pan-Americanos de Santiago, em 2023.

Mesmo longe dos tatames, Ketleyn seguirá ligada ao esporte. Recentemente, concluiu o Curso Avançado de Gestão Esportiva (CAGE), promovido pelo Comitê Olímpico do Brasil (COB), e atualmente integra a Comissão de Atletas da entidade, dando continuidade ao trabalho de fortalecimento do esporte brasileiro fora das competições.