Daniel Ortega anuncia fim das eleições na Nicarágua e amplia controle sobre o país
Presidente afirmou que a oposição não voltará a disputar o poder por meio das urnas e reforçou o modelo de governo que divide com a esposa, Rosario Murillo
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O presidente da Nicarágua, Daniel Ortega, afirmou que o país não realizará mais eleições, em uma declaração que representa um novo passo no processo de concentração de poder do regime. A fala foi feita durante as comemorações do aniversário da Revolução Sandinista, em Manágua, e indica o encerramento da possibilidade de alternância democrática no país quando seu atual mandato terminar, em 2027.
Durante o discurso, Ortega afirmou que a decisão impedirá que grupos de oposição retornem ao governo por meio do voto.
"Não haverá mais eleições aqui para que eles tentem tomar o governo e o poder", declarou o presidente, ao acusar opositores de atuarem em favor dos interesses dos Estados Unidos.
Apesar do anúncio, Ortega não explicou como a medida será implementada nem apresentou propostas legislativas para formalizar o fim das eleições.
No poder desde 2007, após já ter governado a Nicarágua na década de 1980, Ortega consolidou nos últimos anos um amplo controle sobre as instituições do país. Em 2025, uma reforma constitucional ampliou o mandato presidencial de cinco para seis anos e transformou sua esposa, Rosario Murillo, em copresidente, fortalecendo ainda mais o comando do casal sobre o Executivo.
Organizações internacionais de direitos humanos e a Organização das Nações Unidas (ONU) acusam o governo nicaraguense de promover perseguição a opositores, restringir liberdades civis e enfraquecer a independência dos Poderes. Desde os protestos de 2018, centenas de opositores foram presos ou forçados ao exílio, enquanto partidos, organizações não governamentais e veículos de imprensa independentes tiveram suas atividades restringidas.
A declaração de Ortega foi interpretada por analistas como a confirmação de que o país abandona, de forma explícita, qualquer perspectiva de eleições competitivas. A Nicarágua tinha previsão de realizar novas eleições gerais em 2027, após a ampliação do mandato presidencial aprovada pela Assembleia Nacional, controlada por aliados do governo.