Defesa de réu do Caso Beatriz pede transferência do júri para o Recife
Advogados de Marcelo da Silva alegam risco à imparcialidade dos jurados e citam repercussão do caso e atuação política de Lucinha Mota para solicitar mudança do julgamento
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A defesa de Marcelo da Silva, réu pelo assassinato da menina Beatriz Angélica Mota, solicitou ao Tribunal de Justiça de Pernambuco (TJPE) a transferência do julgamento do Tribunal do Júri de Petrolina para o Recife. O pedido de desaforamento foi protocolado na última semana e será analisado pela Justiça.
Segundo os advogados, a mudança é necessária para garantir a imparcialidade dos jurados e preservar a segurança do acusado e da equipe de defesa. Eles alegam que a atuação política de Lucinha Mota, mãe de Beatriz, e a grande mobilização popular em torno do caso poderiam influenciar a composição do Conselho de Sentença.
A defesa sustenta que apoiadores e eleitores de Lucinha, atualmente figura pública e ex-vereadora de Petrolina, podem integrar o corpo de jurados, comprometendo a imparcialidade do julgamento. Também afirma que já houve episódios de hostilidade durante audiências realizadas em 2022, quando foi necessário o acionamento da Polícia Militar para evitar conflitos.
Entre os argumentos apresentados está a repercussão da caminhada de aproximadamente 720 quilômetros realizada por Lucinha Mota entre Petrolina e Recife, em 2021, cobrando a conclusão das investigações, além de sua trajetória política, que incluiu candidaturas e o exercício de mandato de vereadora.
Marcelo da Silva responde pelo assassinato de Beatriz Angélica Mota, de 7 anos, morta com 42 golpes de faca durante uma festa escolar em Petrolina, em dezembro de 2015. Após mais de seis anos de investigação, ele foi identificado pela Polícia Civil por meio de vestígios de DNA encontrados na arma do crime. Embora tenha confessado o homicídio durante a investigação, atualmente a defesa nega sua autoria e questiona a validade da confissão e das provas reunidas no processo.
O pedido de transferência do julgamento aguarda decisão do Tribunal de Justiça de Pernambuco.