Trump usa desmatamento como pretexto para taxar o Brasil em 25%
Ambientalistas desmentem Casa Branca e expõem hipocrisia de Washington; dados do MapBiomas provam queda histórica na destruição de biomas
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A decisão do governo de Donald Trump de impor uma pesada alíquota tarifária de 25% sobre os produtos brasileiros exportados para os Estados Unidos acendeu um sinal de alerta na diplomacia e no setor produtivo. A Casa Branca alega que a medida é uma punição porque o Brasil supostamente tolera o avanço do desmatamento. No entanto, cientistas e especialistas independentes classificam a justificativa americana como totalmente infundada e puramente política.
Para o secretário executivo do Observatório do Clima, Marcio Astrini, o governo Trump está sequestrando a pauta ecológica para criar uma barreira comercial artificial. Astrini lembra que a atual gestão americana tem um histórico de retrocessos climáticos, como a saída do Acordo de Paris, e ironiza o fato de os EUA não aplicarem sanções similares a dezenas de outras nações que destroem suas florestas em ritmo acelerado.
O argumento de Washington desmorona diante das estatísticas oficiais mais recentes. O Relatório Anual do Desmatamento no Brasil (RAD2025), elaborado pela rede MapBiomas, revelou que a perda de vegetação nativa no país caiu 20,6% e ficou abaixo de 1 milhão de hectares em um único ano — um marco inédito. O avanço da fiscalização em campo pelo Ibama, turbinado por recursos do Fundo Amazônia, foi o grande motor dessa retração histórica.
O raio-x da cobertura vegetal brasileira aponta os seguintes dados de conservação no balanço consolidado:
- Cerrado: Apesar de liderar a perda com 540.614 hectares (54,9% do total nacional), o bioma registrou uma queda de 16,9% na devastação.
- Amazônia: Registrou a perda de 289.478 hectares, cravando uma redução expressiva de 23,5%.
- Pantanal: Anotou o melhor desempenho ambiental do país, com um tombo de 48,4% nos índices de desmatamento.
O estudo técnico indica que a expansão da agropecuária ainda responde por 99% da vegetação nativa suprimida. Enquanto isso, o garimpo ilegal concentrou suas franjas de destruição no Pará, e os projetos de energia renovável pressionaram a Caatinga. Analistas de mercado concluem que a sobretaxa dos EUA busca unicamente dar uma vantagem desleal aos produtores americanos, que não seguem as mesmas regras rígidas de restrição de carbono impostas pela legislação brasileira.