Relacionamento tóxico? Sentir culpa o tempo todo pode ser um dos sinais de alerta
Especialista aponta que mudanças internas, medo de conflitos e afastamento da rede de apoio podem indicar uma relação marcada por controle e manipulação
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Identificar um relacionamento tóxico nem sempre é simples para quem está envolvido. Segundo a psicóloga Candice Galvão, o reconhecimento de que uma relação pode estar causando impactos negativos acontece de forma gradual, a partir da percepção sobre mudanças pessoais e comportamentais.
Em entrevista à coluna Claudia Meireles, a especialista explicou que vínculos marcados por controle, manipulação e desgaste emocional costumam se desenvolver aos poucos. De acordo com ela, uma das perguntas que pode ajudar na reflexão é: “Quem eu me tornei depois desse envolvimento?”.
Segundo Candice, algumas pessoas passam a fazer concessões constantes, evitar conflitos, justificar atitudes do parceiro e modificar comportamentos para manter a relação. “Um dia você deixa de falar o que pensa para evitar uma discussão”, afirmou a psicóloga.
A representação desse tipo de dinâmica também aparece em produções de ficção. Na novela Quem Ama Cuida, a personagem Elenice, interpretada por Mariana Sena, vive uma relação em que não identifica o abuso psicológico e a manipulação presentes no casamento com Tom, personagem de Allan Souza Lima.
Sinais de um relacionamento tóxico
Para a psicóloga, os sinais de uma relação marcada por comportamentos prejudiciais podem aparecer mais nas mudanças da própria pessoa do que apenas nas atitudes do parceiro.
Entre os alertas estão a sensação constante de não ser suficiente, pedidos frequentes de desculpas, medo da reação da outra pessoa, dificuldade para expressar opiniões e sentimento de culpa por situações que antes não causavam desconforto.
Outro ponto citado pela especialista é o afastamento da rede de apoio. A pessoa pode reduzir o contato com amigos e familiares, além de deixar de lado atividades e interesses pessoais.
Candice destaca que algumas perguntas podem ajudar na avaliação da relação: “Você continua se sentindo livre para ser quem é? Consegue expressar suas opiniões sem medo? Sente que é respeitado nas suas diferenças?”.
Segundo a psicóloga, relacionamentos saudáveis não eliminam conflitos, mas permitem que cada pessoa mantenha sua identidade e autonomia.
Dependência emocional e dificuldade para sair da relação
Encerrar um relacionamento tóxico pode ser um processo difícil, especialmente quando existe dependência emocional. De acordo com Candice Galvão, essa condição não está relacionada apenas à falta de amor próprio, mas pode ser construída por fatores como experiências anteriores, medo da solidão, necessidade de pertencimento e a dinâmica da própria relação.
A especialista explica que a alternância entre momentos de sofrimento e demonstrações de afeto pode dificultar o rompimento. Por isso, sair desse tipo de vínculo envolve reconstruir a confiança em si mesmo e retomar decisões sem medo.
“Deixar uma relação tóxica exige uma reconstrução da confiança em si mesmo. Redescobrir quem você é fora daquele vínculo”, afirmou a psicóloga.
Importância da rede de apoio
Candice reforça que buscar ajuda de pessoas próximas é uma etapa importante para quem enfrenta uma relação marcada por controle ou violência. Segundo ela, contar com familiares, amigos e profissionais pode auxiliar na tomada de decisões.
Em casos de violência física ou ameaças, a orientação é buscar apoio especializado por meio de serviços como delegacias da mulher, advogados ou organizações de atendimento.
Para a psicóloga, o amor não deve exigir que uma pessoa abandone suas características, opiniões e necessidades para permanecer em uma relação. A construção de novos caminhos, segundo ela, pode ser facilitada quando existe uma rede de apoio.