31 de julho de 2025
CAOS NA SAÚDE

Filha de mulher morta após ataque do ex-companheiro denuncia suposta negligência no HGE e pede investigação

Amanda Oliveira afirma que a mãe ficou dias sem vaga na UTI, sem antibióticos e cobra apuração das denúncias; HGE e Sesau ainda não se manifestaram

Por Redação
Publicado em
Amanda Oliveira afirma que a mãe enfrentou suposta negligência durante a internação no Hospital Geral do Estado. - Foto: Reprodução

A filha de Ana Paula Oliveira da Silva, mulher que morreu após sofrer um brutal ataque do ex-companheiro em Alagoas, publicou um vídeo nas redes sociais denunciando uma suposta negligência no atendimento prestado pelo Hospital Geral do Estado (HGE) durante o período em que a mãe esteve internada. No relato, Amanda Oliveira afirma que Ana Paula permaneceu por vários dias na área vermelha da unidade sem conseguir uma vaga na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) e sem receber, segundo ela, o tratamento adequado para a gravidade do caso.

Ana Paula foi atacada no dia 26 de junho, quando, conforme investigação policial, teve cerca de 90% do corpo queimado após o ex-companheiro atear fogo nela com gasolina. A vítima também sofreu golpes de faca e outros ferimentos graves. Ela chegou a ser socorrida com vida, mas morreu após dias internada no HGE.

Em vídeo divulgado nas redes sociais, Amanda relembrou o crime e afirmou que a mãe lutou para sobreviver desde o momento do ataque.

"Minha mãe teve 90% do corpo queimado pelo ex-companheiro, onde ele ateou fogo com gasolina, a mutilou, faqueou e arrancou sua língua. Ela ficou carbonizando por cerca de 25 minutos e ele não prestou socorro", relatou.

Segundo Amanda, Ana Paula foi entubada ainda às margens da rodovia e encaminhada ao HGE, mas não conseguiu vaga imediata na UTI, apesar do estado considerado gravíssimo.

"Minha mãe apenas estava sendo sedada. Ela estava na área vermelha e estava sofrendo negligência. Não estava tomando nenhum medicamento além da sedação", afirmou.

A filha da vítima também declarou que a transferência para a UTI só ocorreu após familiares realizarem uma manifestação em frente ao hospital.

"Minha mãe só conseguiu uma vaga depois que fizemos uma paralisação. Quando o vídeo começou a circular e fiz uma transmissão ao vivo, recebemos a ligação informando que ela tinha conseguido a vaga."

Amanda afirmou ainda que, somente após a transferência para a terapia intensiva, os familiares descobriram que Ana Paula ainda não havia iniciado tratamento com antibióticos.

"Foi só depois que minha mãe entrou na UTI que descobrimos que ela não estava tomando nenhum antibiótico. A infecção já estava se agravando."

Outro ponto levantado por Amanda envolve um procedimento médico que, segundo ela, teria sido informado à família como realizado, mas que posteriormente outro profissional afirmou que não havia acontecido.

Além disso, ela acusa o hospital de negar parte do prontuário médico referente ao período em que Ana Paula permaneceu internada na área vermelha da unidade.

"Só entregaram o prontuário do período da UTI até o dia em que minha mãe morreu. Os dias em que ela ficou na área vermelha não foram entregues."

No vídeo, Amanda também relata que houve uma queda de energia durante a internação da mãe e afirma que se sentiu intimidada ao buscar esclarecimentos sobre o atendimento recebido. Segundo ela, um diretor da unidade e integrantes da equipe médica teriam dificultado o acesso às informações.

Ao final da gravação, Amanda fez um apelo para que o caso continue sendo acompanhado pela sociedade e pelas autoridades.

"Peço que vocês não deixem a voz da minha mãe se apagar. Minha mãe tinha família, tinha filhos, netos e amigos. Comentem 'Justiça por Ana Paula' para que esse caso não seja esquecido."

Até a publicação desta reportagem, o Hospital Geral do Estado (HGE) e a Secretaria de Estado da Saúde de Alagoas (Sesau) ainda não haviam se manifestado sobre as acusações feitas pela família. O espaço permanece aberto para que ambos apresentem sua versão dos fatos, caso desejem.

Leia também