TRE-AL suspende pesquisa para o Governo de Alagoas após apontar irregularidades na metodologia
Decisão liminar cita falhas na transparência da amostra, ausência de informações obrigatórias e inconsistências em documento apresentado pelo Instituto Vox Brasil
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A pesquisa de intenções de voto para o Governo de Alagoas registrada sob o número AL-01460/2026, realizada pelo Instituto Vox Brasil Opinião e Pesquisas Ltda., foi suspensa por decisão liminar do Tribunal Regional Eleitoral de Alagoas (TRE-AL). A Justiça proibiu a divulgação dos resultados em sites, redes sociais, aplicativos de mensagens e demais plataformas até nova deliberação.
A decisão foi proferida pelo desembargador Maurício Cesar Breda Filho, relator da Representação Eleitoral nº 0600383-55.2026.6.02.0000, ajuizada pela Direção Estadual da Federação União Progressista contra o instituto responsável pela pesquisa e a Maceió FM Rádios Difusoras Ltda., empresa contratante do levantamento.
Justiça aponta falhas na metodologia
Na decisão, o TRE-AL entendeu que a pesquisa apresenta irregularidades capazes de comprometer a transparência e a fiscalização da metodologia utilizada.
Entre as inconsistências apontadas pela Justiça estão:
ausência da identificação dos municípios e bairros onde as entrevistas foram realizadas;
falta de informações sobre a distribuição dos entrevistados por setor censitário;
inexistência da composição final da amostra por critérios como gênero, idade, escolaridade e nível econômico;
ausência de elementos que permitam verificar se a amostra efetivamente representa o eleitorado pesquisado.
Segundo o relator, essas informações são essenciais para garantir o controle da regularidade da pesquisa e possibilitar a fiscalização pelos interessados.
Documento foi assinado antes das entrevistas
Outro ponto destacado na decisão envolve um documento complementar com 675 páginas apresentado pelo instituto.
De acordo com o TRE-AL, o material foi assinado antes mesmo do início da coleta de dados. Para a Justiça Eleitoral, esse fato gera dúvidas sobre a correspondência entre a documentação apresentada e a amostra efetivamente entrevistada.
Na avaliação do magistrado, a situação compromete a confiabilidade dos dados e impede a verificação adequada da metodologia empregada no levantamento.
Divulgação está proibida
Com a liminar, ficam suspensas todas as divulgações da pesquisa até nova decisão judicial.
O TRE-AL determinou que o levantamento não poderá ser divulgado por emissoras de rádio, sites, portais de notícias, redes sociais, aplicativos de mensagens ou qualquer outro meio de comunicação.
A decisão estabelece ainda multa diária de R$ 10 mil em caso de descumprimento da ordem judicial.
A pesquisa havia sido divulgada nesta semana e apresentava cenários de intenção de voto para a eleição ao Governo de Alagoas em 2026, mas seus resultados deixaram de produzir efeitos públicos após a decisão da Justiça Eleitoral.