31 de julho de 2025
investigação

Piloto morre após 'banho de óleo' em escola de aviação no Paraná; instrutor é investigado

Gustavo Henrique Lara teve reação alérgica após cerimônia de conclusão de etapa de formação aeronáutica em Ponta Grossa

Por Redação
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Gustavo Henrique Lara, de 27 anos, era engenheiro - Foto: Reprodução

O engenheiro e piloto Gustavo Henrique Lara, de 27 anos, morreu após participar de um ritual de comemoração conhecido como "banho de óleo" em uma escola de aviação de Ponta Grossa, nos Campos Gerais do Paraná. O caso aconteceu na noite de quinta-feira (16), após a conclusão de uma etapa da formação aeronáutica.

Segundo a Polícia Civil, a substância utilizada no ritual era um óleo usado em motores de aeronaves. O procedimento é realizado em algumas escolas de aviação como forma de celebração após conquistas na formação de pilotos, como o primeiro voo solo.

De acordo com o delegado Lucas Petry, responsável pelo caso, um instrutor da escola foi identificado como responsável por aplicar a substância em Gustavo. O homem se apresentou espontaneamente à delegacia e foi preso em flagrante por homicídio culposo, quando não há intenção de matar.

Após prestar depoimento, o instrutor foi liberado mediante pagamento de fiança no valor de R$ 3 mil. Conforme a polícia, ele confirmou que participou do ritual e afirmou que a aplicação do óleo nos formandos ocorre do pescoço para baixo.

A Polícia Civil informou que, até o momento, não foram encontrados elementos que indiquem intenção de provocar a morte do piloto. A investigação deverá analisar as circunstâncias do caso, incluindo a composição do produto utilizado, a quantidade aplicada, as áreas do corpo atingidas e a relação entre o procedimento e a morte.

Após o ritual, Gustavo apresentou alterações no estado de saúde e recebeu atendimento do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu). Ele foi encaminhado a um hospital, onde passou por tentativas de reanimação, mas não resistiu.

Segundo o Samu, o piloto sofreu uma reação anafilática, que é uma reação alérgica grave. O atendimento registrou uma crise convulsiva e três paradas cardiorrespiratórias. As duas primeiras foram revertidas, mas a terceira não teve resposta.

A Polícia Civil solicitou exames necroscópico, toxicológico e químico-pericial para identificar a causa da morte. Também serão analisadas imagens, documentos e depoimentos de testemunhas, participantes do ritual e familiares da vítima.

Em nota, o Centro de Instrução de Aviação Civil (CIAC) do Aeroclube de Ponta Grossa informou que Gustavo morreu após a realização de seu voo solo e afirmou que o caso ocorreu fora da área da instituição, após o encerramento da atividade de voo.

A escola declarou que está colaborando com as autoridades responsáveis pela investigação e que não fará novos comentários sobre o caso até a conclusão das apurações.

Nas redes sociais, familiares e amigos publicaram mensagens em homenagem a Gustavo. Os relatos destacaram a trajetória do jovem na aviação e os planos que ele tinha para a carreira como piloto.