Indústria defende negociação com EUA, e governo adia uso da Lei da Reciprocidade
Estratégia do Planalto é priorizar um acordo para evitar o agravamento da disputa comercial; retaliação segue no radar, mas será adotada apenas "no momento adequado"
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O governo federal decidiu manter as negociações com os Estados Unidos e deixar para um "momento adequado" uma eventual aplicação da Lei da Reciprocidade Econômica em resposta ao novo tarifaço imposto pelo governo norte-americano. A estratégia conta com o apoio do setor industrial, que defende a continuidade do diálogo para reduzir os impactos sobre as exportações brasileiras.
Durante coletiva realizada após o anúncio das novas tarifas, o vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin, afirmou que o Brasil possui respaldo legal para responder às medidas adotadas por Washington, mas ressaltou que o governo avaliará o melhor momento para utilizar esse instrumento.
"Nós temos uma Lei da Reciprocidade aprovada pelo Congresso Nacional e o governo saberá implementá-la no momento adequado", afirmou Alckmin.
A cautela do governo ocorre em meio ao receio de que uma retaliação imediata possa provocar uma escalada da disputa comercial. Auxiliares do presidente Luiz Inácio Lula da Silva avaliam que uma resposta precipitada poderia abrir espaço para novas sanções por parte dos Estados Unidos, conforme interpretação do próprio documento divulgado pelo Escritório do Representante de Comércio dos EUA (USTR).
Enquanto isso, representantes da indústria brasileira reforçam a necessidade de um acordo negociado. O setor produtivo tem concentrado esforços para ampliar a lista de produtos que possam ficar de fora da sobretaxa de 25% anunciada pelos norte-americanos e minimizar os prejuízos às empresas exportadoras.
Entidades como a Confederação Nacional da Indústria (CNI), a Câmara Americana de Comércio para o Brasil (Amcham Brasil) e a U.S. Chamber of Commerce defendem uma agenda de negociações em duas etapas, com foco inicial na suspensão das tarifas e, posteriormente, na ampliação da cooperação comercial entre os dois países.
O governo brasileiro também anunciou que prepara medidas de apoio aos setores mais afetados caso as tarifas entrem em vigor. Segundo Alckmin, além da busca por uma solução diplomática, a equipe econômica trabalha em ações para reduzir os impactos sobre a indústria nacional e preservar empregos.