31 de julho de 2025
ECONOMIA

Governo prevê nova tarifa dos EUA contra produtos brasileiros e impacto pode chegar a US$ 7,4 bilhões

Ministro afirma que taxa de 12,5% deve ser anunciada na próxima semana e ainda há dúvidas se cobrança será somada aos 25% já previstos

Por Redação
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Governo brasileiro acompanha decisão dos Estados Unidos sobre nova tarifa que poderá atingir produtos exportados pelo Brasil. - Foto: Júlio César Silva/MDIC

O governo federal avalia que os Estados Unidos deverão anunciar, na próxima sexta-feira (24), uma nova tarifa de 12,5% sobre produtos brasileiros, ampliando as medidas comerciais adotadas contra o Brasil. A principal dúvida, segundo o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), é se essa nova cobrança será aplicada de forma cumulativa aos 25% de tarifa já anunciados pelo governo norte-americano.

A estimativa foi apresentada nesta quinta-feira (16) pelo ministro Márcio Elias Rosa, durante entrevista coletiva. Segundo ele, a definição sobre a forma de cobrança será conhecida apenas quando o governo dos Estados Unidos oficializar a medida.

De acordo com o ministro, ainda não há confirmação se as tarifas serão somadas ou se a nova taxa substituirá parte das cobranças previstas.

"Aí nós vamos ficar sabendo se vai ser cumulativo ou não. Se vamos ter 25% mais 12,5% ou se vamos ter exclusão", afirmou Márcio Elias Rosa.

O ministro explicou ainda que a expectativa do governo brasileiro é que a nova tarifa alcance praticamente todos os produtos abrangidos pela investigação conduzida pelos Estados Unidos.

"A expectativa é que virá para todos. Essa Seção 301 do trabalho forçado os EUA criaram para substituir aqueles 10% que vão acabar na semana que vem", acrescentou.

A possível nova tarifa tem origem em uma investigação aberta pelos Estados Unidos em março deste ano, com base na Seção 301 da Lei de Comércio de 1974.

O procedimento analisa supostas falhas de mais de 60 países, incluindo o Brasil, no combate ao trabalho forçado em suas cadeias produtivas.

Segundo o Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR), países que adotam regras eficazes para impedir a importação de produtos ligados ao trabalho forçado podem ser submetidos a uma tarifa menor, proposta em 10%. Já os demais podem enfrentar sobretaxas de até 12,5%, conforme o resultado da investigação.

Caso a nova medida seja confirmada, o governo brasileiro calcula que cerca de 18% das exportações do Brasil para os Estados Unidos poderão ser afetadas.

Com base nos números de 2024, isso representa aproximadamente US$ 7,4 bilhões em vendas ao mercado norte-americano.

Segundo Márcio Elias Rosa, considerando as exportações já impactadas pelas tarifas em 2025, esse percentual cairia para 15%.