31 de julho de 2025
ALAGOAS

Desmatamento de mais de 70 hectares de Caatinga no agreste alagoano entra na mira da Justiça

Promotoria instaurou dois procedimentos administrativos para apurar degradação ambiental na zona rural e solicitou apoio do Incra e do Núcleo do Meio Ambiente do MPAL.

Por Redação
Publicado em
Desmatamento em assentamento e área de 70 hectares de Caatinga é alvo de investigação em Girau do Ponciano. - Foto: Arquivo/Ascom IMA

O Ministério Público de Alagoas (MPAL) instaurou dois procedimentos administrativos para aprofundar investigações sobre supostos casos de desmatamento e degradação ambiental em áreas rurais de Girau do Ponciano, no Agreste alagoano. As medidas foram publicadas no Diário Oficial do Ministério Público desta quinta-feira (16) e têm como objetivo acompanhar a situação e adotar providências para a proteção ambiental.

O primeiro procedimento trata de uma denúncia de degradação ambiental no Assentamento Paraná, localizado na zona rural do município. Segundo a portaria, a apuração teve início a partir de uma Notícia de Fato e, diante da necessidade de novos esclarecimentos, foi convertida em Procedimento Administrativo. O promotor de Justiça Sérgio Ricardo Vieira Leite determinou a expedição de ofício ao Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) para que informe detalhes sobre a área desmatada.

Já o segundo procedimento investiga o desmatamento de 70,44 hectares de vegetação nativa do bioma Caatinga, em estágio avançado de regeneração, na Fazenda Balança, também na zona rural de Girau do Ponciano. Conforme a portaria, a supressão da vegetação teria ocorrido sem autorização do órgão ambiental competente, motivo pelo qual o Ministério Público decidiu acompanhar a regularização da situação.

Além da publicação da portaria, o promotor solicitou ao procurador-geral de Justiça apoio do Núcleo do Meio Ambiente do Ministério Público para auxiliar nas diligências relacionadas ao caso.

Nas duas investigações, o MP destaca que sua atuação tem fundamento na Constituição Federal, que garante a todos o direito ao meio ambiente ecologicamente equilibrado e atribui ao Ministério Público a defesa dos interesses difusos e coletivos, incluindo a proteção ambiental. Os procedimentos administrativos têm como finalidade acompanhar a situação, reunir novos elementos de prova e verificar a necessidade de adoção de medidas extrajudiciais ou judiciais para responsabilização dos envolvidos e recuperação das áreas afetadas.

Até o momento, o Diário Oficial não identifica os responsáveis pelas áreas investigadas nem informa se houve autuações administrativas por parte dos órgãos ambientais. As apurações seguem em andamento no âmbito do Ministério Público.