31 de julho de 2025
fraude

PF identifica empresas sem estrutura que movimentaram R$ 312 milhões em suposta fraude no INSS

Investigação aponta que salas comerciais eram usadas em esquema de descontos ilegais em benefícios

Por Redação
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Investigação apura uma organização suspeita de desviar mais de R$ 700 milhões de aposentados e pensionistas. - Foto: Reprodução

Empresas registradas em endereços sem estrutura de funcionamento movimentaram R$ 312,4 milhões durante o esquema investigado pela Polícia Federal envolvendo descontos ilegais em benefícios do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). As informações constam no relatório final da investigação, que apura uma organização suspeita de desviar mais de R$ 700 milhões de aposentados e pensionistas.

Segundo a PF, as empresas apontadas como integrantes do esquema estavam registradas em salas comerciais na Avenida Washington Luiz, em Presidente Prudente (SP). Durante a Operação Sem Desconto, deflagrada em abril de 2025, os agentes encontraram os locais praticamente vazios, sem funcionários, computadores, documentos ou estrutura compatível com a movimentação financeira identificada.

De acordo com o relatório, testemunhas relataram que os espaços permaneciam fechados durante o horário comercial e não apresentavam sinais de atividade empresarial.

A investigação aponta que os recursos estavam ligados a empresas associadas ao casal Cícero Marcelino de Souza Santos e Ingrid Pikinskeni Morais Santos, identificados pela PF como supostos operadores financeiros do esquema.

Investigação aponta caminho dos recursos

Conforme a Polícia Federal, após o repasse de valores arrecadados pelo INSS com descontos associativos para a Confederação Nacional dos Agricultores Familiares e Empreendedores Familiares Rurais (Conafer), aproximadamente 91% dos recursos teriam sido transferidos para empresas relacionadas ao grupo investigado.

A PF afirma que as pessoas jurídicas eram utilizadas para distribuir os valores entre diferentes contas e dificultar o rastreamento da origem e do destino do dinheiro.

Entre as empresas citadas no relatório estão companhias com atividades declaradas em áreas diversas, como consultoria, locação de veículos, papelaria e agropecuária.

Bens apreendidos

Durante as buscas realizadas nos endereços dos investigados, a Polícia Federal apreendeu veículos de luxo, incluindo uma BMW X5 e uma Land Rover Defender, além de armas de fogo, R$ 12.490 em dinheiro e equipamentos eletrônicos.

Os materiais recolhidos serão submetidos à perícia. A investigação também aponta que Cícero Marcelino teria participação na coordenação financeira do grupo, controlando a movimentação dos recursos por meio da rede de empresas e mantendo contato com outros investigados.