31 de julho de 2025
MATERNIDADE

Falta de acesso à analgesia durante o parto leva gestantes a optarem por cesariana, aponta Unicef

Levantamento mostra que maioria das mulheres inicia a gestação planejando parto normal, mas enfrenta barreiras como acesso limitado ao alívio da dor e falta de informação

Por Redação
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Falta de acesso à analgesia durante o parto leva gestantes a optarem por cesariana, aponta Unicef - Foto: Patricia Prudente/Unsplash

A falta de acesso à analgesia durante o trabalho de parto é um dos fatores que têm levado gestantes a optarem pela cesariana no Brasil, segundo um levantamento divulgado pelo Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef). O estudo aponta que, embora sete em cada dez mulheres iniciem a gestação com o desejo de ter parto normal, diferentes obstáculos acabam influenciando a mudança de decisão.

Entre os principais fatores identificados estão orientações insuficientes durante o pré-natal, desconhecimento sobre o plano de parto, baixa participação do parceiro no acompanhamento da gestação e acesso restrito à anestesia para alívio da dor, especialmente na rede pública.

De acordo com a pesquisa, entre usuárias do Sistema Único de Saúde (SUS), a analgesia — direito garantido às gestantes — muitas vezes está disponível apenas em casos de cesariana. Já na rede privada, questões relacionadas aos custos e à organização do atendimento também podem favorecer a realização de cirurgias sem indicação clínica.

O levantamento ainda destaca que a ausência do parceiro no pré-natal pode influenciar a escolha pelo parto cirúrgico. Sem conhecer as etapas do trabalho de parto, muitos acompanhantes acabam pressionando a gestante a interromper o processo e optar pela cesariana.

Para reduzir esse cenário, a Unicef defende a ampliação do acesso à analgesia, o fortalecimento da assistência ao parto normal e a criação de centros especializados com equipes multidisciplinares, reunindo obstetras, enfermeiras obstétricas e doulas.

A entidade também recomenda ampliar as ações de educação durante o pré-natal, incentivar a elaboração do plano de parto e promover maior participação dos parceiros no acompanhamento da gestação. Segundo o estudo, essas medidas podem contribuir para que a decisão sobre a via de parto seja tomada com mais informação, segurança e respeito à autonomia da mulher.