31 de julho de 2025
PERNAMBUCO

Defesa diz que suspeita de envenenar artesã com mercúrio no Recife sofre de transtornos psiquiátricos e não se lembra do caso

Advogada afirma que mulher reconheceu aparecer nas imagens, mas diz não recordar de ter colocado substância na garrafa da vítima; investigação da Polícia Civil ainda não foi concluída.

Por Redação
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Defesa afirma que suspeita de envenenar artesã com mercúrio sofre de transtornos psiquiátricos e não se lembra dos fatos investigados. - Foto: Reprodução/Redes Sociais

A defesa de Maria Aparecida Rodrigues de Araújo, investigada por suspeita de envenenar com mercúrio a artesã Denny Cardoso durante vários meses no Recife, afirmou que a cliente sofre de transtornos psiquiátricos e não se recorda dos fatos relacionados ao caso. A declaração foi feita pela advogada Ana Maristela Trajano, que representa a suspeita.

Segundo a defensora, Maria Aparecida passou por avaliação psiquiátrica e relatou não lembrar do que ocorreu no dia em que foi filmada colocando uma substância em uma garrafa de água dentro do projeto social onde a vítima trabalhava.

De acordo com a advogada, a investigada afirmou não se recordar de ter saído de casa, de ter sido conduzida à delegacia ou mesmo de ter assinado documentos durante o registro da ocorrência.

As imagens que fazem parte da investigação foram registradas em junho de 2025 por Denny Cardoso. Desconfiada de que sua água estava sendo adulterada após apresentar sintomas de intoxicação, a artesã deixou um celular gravando e registrou, em duas ocasiões, Maria Aparecida manipulando sua garrafa.

A defesa informou que a cliente reconheceu ser a mulher que aparece nos vídeos, mas alegou não conseguir recordar o que colocou na garrafa, nem se o recipiente pertencia à vítima.

Ainda segundo a advogada, não seria possível, neste momento, concluir que houve envenenamento apenas com base nas imagens. Ela argumenta que o inquérito policial ainda está em andamento e que a investigação deverá esclarecer os fatos.

Conforme a defesa, Maria Aparecida possui diagnósticos de deficiência intelectual leve, episódios de depressão, síndrome do pânico e transtornos psicóticos. Segundo a advogada, essas condições impediram a cliente de exercer atividade profissional e podem explicar a ausência de lembranças sobre o episódio investigado.

A advogada também afirmou que, durante as investigações, foi mencionada a existência de uma antiga desavença entre a suspeita e a vítima, motivada por questões pessoais envolvendo um homem. No entanto, segundo ela, Maria Aparecida também não se recorda desse suposto conflito.

Artesã apresentou sintomas por vários meses

Denny Cardoso atuava como professora no projeto social Arte na Medicina, desenvolvido no Hospital Universitário Oswaldo Cruz (Huoc), no Recife. Segundo a vítima, ela passou a sentir dores abdominais, dificuldades para caminhar, rigidez muscular, alterações neurológicas e problemas urinários ao longo de vários meses.

Após encontrar pequenas partículas na água que consumia diariamente, a artesã decidiu gravar o ambiente de trabalho. As imagens registraram a colega colocando uma substância dentro da garrafa em duas oportunidades.

O boletim de ocorrência informa que policiais encontraram resíduos de um pó na bolsa da investigada durante a abordagem. A suspeita negou ter envenenado a bebida.

Segundo a vítima e seu advogado, os exames periciais já foram concluídos e confirmaram a intoxicação por mercúrio. A equipe médica responsável pelo atendimento informou que a quantidade encontrada no organismo da artesã indica que a exposição ao metal pesado pode ter ocorrido por um período entre oito meses e um ano.

O caso é investigado pela Delegacia da Boa Vista, no Recife, desde junho de 2025. Até o momento, a Polícia Civil de Pernambuco não concluiu o inquérito e também não informou qual crime é atribuído formalmente à investigada. Em nota, a corporação afirmou apenas que as diligências continuam e que não pode divulgar detalhes para não comprometer as investigações.