Michelle teme volta de Bolsonaro à prisão após Flávio divulgar carta do pai
Ex-primeira-dama pediu orações por receio de que carta política escrita pelo ex-presidente, que cumpre prisão domiciliar humanitária, leve Alexandre de Moraes a revogar o benefício
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A ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro (PL) confidenciou a interlocutores um profundo receio de que a divulgação de um manuscrito feito por Jair Bolsonaro possa resultar no retorno do ex-presidente ao regime fechado. O documento foi tornado público pelo filho 01 do casal, o senador e pré-candidato à Presidência da República, Flávio Bolsonaro (PL).
De acordo com relatos de pessoas próximas obtidos pelo portal Metrópoles, Michelle chegou a pedir orações ao grupo diante do temor de uma reação imediata do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes. O ex-presidente cumpre pena por tentativa de golpe de Estado e teve a prisão domiciliar humanitária mantida por decisão do magistrado há apenas 10 dias.
Na carta, datada de sábado (11/7), Jair Bolsonaro faz uma convocação aos seus apoiadores para que unifiquem a militância e deixem "possíveis diferenças" de lado em prol da pré-candidatura de Flávio, a quem se refere abertamente como seu "porta-voz" e a "melhor opção" para o país.
"O momento é de arregaçar as mangas, deixarmos de lado as possíveis diferenças e cada um se empenhar pelo nosso pré-candidato à Presidência, Flávio Bolsonaro, a melhor opção para livrarmos o Brasil da corrupção, da violência e do empobrecimento", diz trecho do manuscrito.
Esquerda aciona o STF e aponta descumprimento de cautelares
A publicação do texto político gerou reação imediata no cenário parlamentar e jurídico. Adversários políticos apontam que a manifestação pública do ex-presidente fere de morte as condicionantes impostas pela Justiça para que ele permanecesse em prisão domiciliar.
O deputado federal Lindbergh Farias (PT-RJ) já ingressou com um pedido formal junto ao gabinete de Alexandre de Moraes solicitando o cancelamento imediato da prisão domiciliar de Bolsonaro. Na mesma linha, o criminalista Antonio Carlos de Almeida Castro, o Kakay, sustentou pública e juridicamente que a veiculação da carta constitui uma clara violação das medidas cautelares estabelecidas pelo Supremo Tribunal Federal.