Federação PP-União caminha para tirar o apoio a Flávio Bolsonaro na disputa presidencial
Desgaste com Ciro Nogueira e prisão de aliado no Rio pesam na decisão, que deve ser fechada antes das convenções partidárias, marcadas para 20 de julho
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A pré-candidatura de Flávio Bolsonaro (PL-RJ) à Presidência corre risco de perder um apoio importante. A federação formada por PP e União Brasil está caminhando pra declarar neutralidade na disputa, deixando de respaldar oficialmente o senador. A decisão deve ser fechada antes de 20 de julho, data em que começam as convenções partidárias.
Segundo dirigentes das duas legendas, a relação política com Flávio se desgastou bastante nas últimas semanas, e isso fortaleceu dentro do partido a ideia de simplesmente ficar de fora dessa briga presidencial.
O desconforto no PP
Dentro do PP, o principal foco de insatisfação gira em torno do presidente nacional do partido, o senador Ciro Nogueira. Segundo relatos internos, Ciro teria se sentido abandonado por Flávio depois de virar alvo de investigações ligadas ao caso do empresário Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master. A expectativa, dentro da legenda, era de que Flávio tivesse agido de forma mais firme em defesa do aliado, o que não teria acontecido.
O nome do próprio Flávio, aliás, também apareceu nesse contexto. O Intercept Brasil divulgou um áudio em que ele pede a Vorcaro R$ 134 milhões, valor que seria destinado a financiar o filme Dark Horse, sobre a história de Jair Bolsonaro. Apesar de ter sido citado nas investigações, o senador ainda não sofreu nenhuma medida da Polícia Federal relacionada ao caso, que segue tramitando no STF.
O desconforto no União Brasil
Já no União Brasil, o que mais pesou foi outro episódio: a prisão do ex-prefeito de Belfort Roxo, Márcio Canella, aliado político de Flávio no Rio de Janeiro e cotado como pré-candidato ao Senado na chapa dele. Canella foi detido essa semana e depois transferido pro Complexo Penitenciário de Gericinó, em Bangu.
Segundo lideranças do partido, o silêncio do senador diante desse episódio específico só piorou o clima interno, que já vinha desgastado.
Rumo à neutralidade total
De acordo com dirigentes das duas siglas, a maioria das lideranças hoje já defende que a federação assuma uma postura de neutralidade total na eleição presidencial. A leitura interna é de que apoiar Flávio deixou de ser consenso dentro do grupo, e que manter esse apoio poderia até gerar custo político pros partidos em diferentes estados.
Se essa decisão for mesmo confirmada, o impacto pra Flávio é grande. Além de perder o respaldo de uma das maiores federações partidárias do país, ele também vê esfriar a possibilidade de atrair nomes do PP pra compor a própria chapa presidencial. Um exemplo direto disso é a senadora Tereza Cristina (PP-MS), cujo nome já tinha sido cogitado como possível vice em outros momentos, e que agora se torna uma alternativa cada vez mais distante.