31 de julho de 2025
política

Federação PP-União Brasil avalia neutralidade e pode enfraquecer apoio à Flávio Bolsonaro

Siglas aumenta pressão para que federação não declare apoio ao senador na disputa presidencial de 2026

Por Redação
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Ao deixar de defender publicamente aliados do PP e do União Brasil alvos de investigações, Flávio incomodou as siglas . - Foto: Andressa Anholete/Agência Senado

A federação formada pelo Progressistas (PP) e pelo União Brasil avalia adotar uma postura de neutralidade na eleição presidencial de 2026, movimento que pode comprometer a estratégia eleitoral do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ).

Dirigentes das duas legendas apontam desgaste na relação política com o parlamentar nas últimas semanas e defendem que a federação não formalize apoio a nenhuma candidatura ao Palácio do Planalto neste momento. A decisão deve ser definida antes do início das convenções partidárias, previstas para começar em julho.

No PP, parte da insatisfação estaria relacionada à avaliação de integrantes da legenda de que Flávio Bolsonaro não teria feito uma defesa pública mais firme de aliados envolvidos em investigações recentes. Entre os nomes citados está o presidente nacional do partido, senador Ciro Nogueira (PP-PI), que teria esperado maior apoio político diante das apurações envolvendo o empresário Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master.

O nome de Flávio também passou a ser mencionado no contexto dessas investigações após a divulgação de um áudio pelo Intercept Brasil, no qual o senador teria solicitado recursos a Vorcaro para o financiamento do filme “Dark Horse”, produção relacionada ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). Até o momento, Flávio Bolsonaro não foi alvo de medidas da Polícia Federal no caso, que tramita no Supremo Tribunal Federal (STF).

No União Brasil, o desconforto teria aumentado após a prisão do ex-prefeito de Belford Roxo, Márcio Canella, aliado político de Flávio no Rio de Janeiro e apontado como possível integrante de sua chapa ao Senado. Lideranças da legenda avaliam que a ausência de manifestação pública do senador sobre o episódio contribuiu para ampliar o distanciamento interno.

Caso a federação confirme uma posição de neutralidade, Flávio Bolsonaro poderá perder o apoio de uma das maiores alianças partidárias do país e enfrentar dificuldades para ampliar sua articulação política nos estados.

A mudança também pode afetar negociações para a composição da chapa presidencial. Um dos nomes anteriormente considerados para uma eventual vice-presidência era o da senadora Tereza Cristina (PP-MS), possibilidade que passou a ser vista como menos provável diante do novo cenário.

A decisão final da federação deverá ocorrer durante o processo de organização das alianças para as eleições de 2026.