PF faz busca na casa de Bolsonaro atrás de armas e chega a revistar quarto da filha mais nova
Flávio Bolsonaro chama a ação de "constrangedora" depois que a irmã Laura, de 15 anos, precisou sair do próprio quarto durante a operação, mas nada foi encontrado pelos agentes
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A Polícia Federal esteve na casa de Jair Bolsonaro na manhã dessa quarta (8) numa operação de busca e apreensão atrás de armas de fogo. A ação foi determinada pelo ministro Alexandre de Moraes, do STF, e acabou gerando um episódio que incomodou bastante a família: segundo Flávio Bolsonaro, a busca chegou até o quarto da irmã caçula deles, Laura, de apenas 15 anos.
Em live nessa manhã, o senador não escondeu o desconforto. "Fizeram uma busca minuciosa, reviraram tudo. Tiveram que tirar a Laurinha do quarto dela para poder fazer a busca e procurar alguma arma que não tivesse sido informada nos autos. Foi muito ruim, muito constrangedor", declarou.
Laura mora com Bolsonaro e Michelle na residência onde o ex-presidente cumpre prisão domiciliar, no condomínio Solar de Brasília, no Jardim Botânico, depois de ter sido condenado pela trama golpista.
Por que Moraes autorizou a busca
Pra entender o motivo dessa operação, é preciso voltar um pouco. O Exército já tinha informado ao STF que entregou seis das oito armas registradas em nome de Bolsonaro, mas faltavam duas: uma pistola Glock calibre nove milímetros e uma espingarda calibre 12. Segundo a defesa, a pistola é a mesma que foi apreendida numa blitz em junho, com um militar da segurança de Bolsonaro, e está sob custódia da Polícia Civil do DF. Já a espingarda, dizem os advogados, foi um presente que Bolsonaro nunca chegou a retirar, permanecendo guardada numa empresa importadora de armas em Caxias do Sul (RS).
Só que, pra Moraes, essas explicações não bateram direito com os registros oficiais. Na decisão que autorizou a busca, ele apontou uma divergência entre a quantidade de armas registradas em nome do ex-presidente e o que de fato foi entregue às autoridades. E foi direto ao apontar a fragilidade da versão sobre a espingarda: "Isso porque a versão apresentada diverge dos dados constantes dos registros existentes e não foi acompanhada de documentação idônea capaz de comprovar a efetiva localização do armamento, a identidade do suposto depositário ou a regularidade da alegada custódia."
Com base nisso, o ministro considerou a busca necessária pra fechar qualquer dúvida sobre o assunto. "Na presente hipótese, a discrepância entre as informações constantes dos autos e aquelas posteriormente apresentadas pela Defesa torna imprescindível a adoção de busca e apreensão domiciliar a fim de assegurar o efetivo cumprimento da ordem judicial de entrega integral das armas de fogo e afastar qualquer dúvida quanto à permanência de armamentos sob a posse, direta ou indireta, do condenado Jair Messias Bolsonaro."
O que diz a defesa
Flávio não poupou críticas à decisão de Moraes, questionando tanto a boa-fé do ministro quanto o respeito à presunção de inocência. "Desde sexta-feira passada a defesa está informando. Tudo informado, claramente com tranquilidade e transparência", alegou. Ele foi além e sugeriu que a operação teria outro objetivo, ligado ao momento em que ele está em Washington, participando de audiências sobre a possível tarifa de 25% sobre produtos brasileiros, cuja decisão final sai no dia 15 de julho. Pra ele, a busca seria uma "clara tentativa de cortina de fumaça".
O advogado João Henrique de Freitas, que integra a defesa de Bolsonaro, também criticou a ação, destacando que nenhuma arma foi encontrada. "A defesa já havia informado previamente o paradeiro de todas as armas. Resultado: nada foi encontrado. É lamentável que um ex-Presidente da República ainda seja submetido a esse tipo de ação", afirmou.
O caso da blitz que deu início a tudo
Essa situação toda tem origem em 15 de junho, quando o segundo-sargento Estácio Leite da Silva Filho foi parado numa blitz de trânsito em Taguatinga, no norte de Brasília, dirigindo um veículo oficial da Presidência. O policial que fez a abordagem notou uma pistola dentro do carro e percebeu que Estácio fechou o vidro de forma repentina assim que viu que a arma tinha sido vista.
A arma acabou recolhida, e o militar inicialmente disse ter porte autorizado por integrar o GSI. Só que não havia nenhum registro do equipamento em nome dele. Diante disso, Estácio admitiu que a pistola era de Jair Bolsonaro, alegando que a tinha recebido horas antes pra fazer um reparo no percursor.
O GSI, porém, esclareceu que Estácio não faz parte do quadro de servidores do órgão, sendo apenas um assessor que acompanha o ex-presidente e recebe treinamento do gabinete, sem integrá-lo oficialmente. A defesa de Bolsonaro, nos primeiros esclarecimentos, confirmou que a arma era dele, mas afirmou que estava desativada. Em depoimento ao próprio Moraes, Bolsonaro manteve essa versão e ainda disse que um delegado da Polícia Federal teria autorizado que ele mantivesse uma arma em casa.
A Polícia Civil do DF não identificou indícios de crime por parte de Bolsonaro relacionados à posse da arma, mas o militar envolvido no caso acabou indiciado.
Prisão domiciliar mantida
Na semana passada, Moraes já tinha decidido manter Bolsonaro em prisão domiciliar humanitária, com todas as medidas cautelares em vigor. Na mesma decisão, revogou o porte da arma apreendida na blitz, determinou a apreensão de todas as armas ligadas ao ex-presidente e cancelou o registro dele como Colecionador, Atirador Desportivo e Caçador (CAC). O ministro deixou claro que qualquer descumprimento das regras da prisão domiciliar pode resultar no retorno imediato à prisão em regime fechado.
*Com informações do Estadão Conteúdo