Marine Le Pen pode concorrer em 2027, mas vai ter que usar tornozeleira eletrônica
Tribunal francês manteve a condenação por desvio de verbas da União Europeia, só que reduziu a pena o suficiente pra abrir caminho até o Palácio do Eliseu
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Saiu a decisão que a política francesa inteira estava esperando. Um tribunal de apelação confirmou que Marine Le Pen é mesmo culpada de usar indevidamente fundos da União Europeia, mas mexeu na pena de um jeito que muda tudo pra ela: agora ela pode disputar a eleição presidencial de 2027.
A pena ficou assim: três anos de prisão, só que dois deles em regime suspenso, e um ano de uso obrigatório de tornozeleira eletrônica. O tribunal também cortou bastante o tempo em que ela ficaria proibida de concorrer a cargos públicos. Na letra da lei ainda são 45 meses de proibição, mas com 30 suspensos, o que na prática dá 15 meses. Fora isso, ela também terá que pagar uma multa de 100 mil euros, algo em torno de R$ 588 mil.
O que isso significa, resumindo, é que Le Pen sai livre pra fazer campanha em 2027. Só que com um detalhe nada trivial: a tornozeleira. E aqui vale lembrar que ela mesma já tinha dito, antes dessa decisão, que não veria como concorrer nessas condições.
"Quando você é candidata à presidência, precisa ter total liberdade de locomoção, e isso não é possível se você estiver usando uma tornozeleira eletrônica", disse ela ao canal LCI na semana passada.
Então agora ela vai precisar decidir se topa mesmo enfrentar uma campanha inteira com esse aparelho, algo que deve complicar bastante a logística do dia a dia e provavelmente vai gerar dor de cabeça política pro próprio partido dela, o União Nacional. Tem ainda uma janela em janeiro de 2027 em que ela pode pedir ao tribunal pra reduzir ainda mais a pena, então essa história não está totalmente fechada.
Vale entender de onde vem tudo isso. Em março de 2025, um tribunal de Paris já tinha condenado Le Pen e outras 11 pessoas do partido por desviar verbas do Parlamento Europeu pra pagar funcionários do partido na França. Na época, a proibição de disputar cargos entrou em vigor imediatamente, mesmo antes de qualquer recurso ser julgado, o que gerou bastante polêmica.
De lá pra cá, ficaram 18 meses de incerteza sobre se a mulher que é tida como favorita nas pesquisas conseguiria sequer aparecer na cédula de votação. Agora, com essa decisão, a resposta é sim, ela pode. Só que com uma tornozeleira no tornozelo.