31 de julho de 2025
tarifaço

Coca-Cola, Tesla e eBay criticam plano dos EUA de taxar produtos brasileiros em 25%

As companhias alertam que o "tarifaço", anunciado em junho com base na Seção 301 da legislação americana, provocará prejuízos imediatos às cadeias de produção locais e inflação

Por Redação
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As companhias alertam que o "tarifaço", anunciado em junho com base na Seção 301 da legislação americana, provocará prejuízos imediatos às cadeias de produção locais e inflação - Foto: Reprodução/White House

As multinacionais americanas Coca-Cola, Tesla e eBay se manifestaram oficialmente contra a proposta do governo dos Estados Unidos de impor uma tarifa coercitiva de 25% sobre produtos importados do Brasil. O prazo para o envio de comentários ao Escritório do Representante Comercial dos EUA (USTR) terminou em 1º de julho. As companhias alertam que o "tarifaço", anunciado em junho com base na Seção 301 da legislação americana, provocará prejuízos imediatos às cadeias de produção locais e inflação para os próprios consumidores dos EUA.

Justificada pela gestão de Donald Trump sob alegações de práticas brasileiras prejudiciais em setores como comércio digital, etanol, proteção intelectual e desmatamento, a Seção 301 permite a aplicação de barreiras comerciais. No entanto, as gigantes americanas argumentam que o mercado interno não tem capacidade de substituir os insumos brasileiros a curto prazo.

A Coca-Cola solicitou formalmente ao USTR que mantenha a isenção sobre os insumos de laranja e limão vindos do Brasil. A gigante de bebidas explicou que a produção citrícola na Flórida desabou nas últimas décadas, caindo de 242 milhões de caixas na safra 2003/2004 para apenas 12 milhões na safra 2025/2026 devido a pragas e fatores climáticos. Sem o fornecimento brasileiro, considerado essencial e complementar, a empresa prevê explosão de custos com testes de segurança alimentar e homologação de novos fornecedores.

Impactos na Indústria e no E-commerce


A Tesla, montadora de veículos elétricos de Elon Musk, também pediu a exclusão de peças e componentes automotivos brasileiros da lista de taxação. Embora a fabricante apoie o plano de reindustrialização de longo prazo dos EUA, a empresa destacou que a transição leva tempo. Segundo a Tesla, punir insumos essenciais antes que a indústria doméstica consiga expandir sua capacidade "corre o risco de causar impactos significativos para a indústria e os consumidores dos Estados Unidos".

No setor de comércio eletrônico, o eBay focou sua contestação na defesa de bens de segunda mão. A plataforma argumenta que taxar produtos usados e seminovos em revendas não pune as práticas de mercado do governo brasileiro e prejudica apenas pequenos comerciantes e o mercado secundário. "A tarifa penaliza a revenda do bem, e não sua produção", criticou a empresa, observando que a medida pode ironicamente forçar os americanos a comprarem itens novos e sob condições concorrenciais distorcidas.