De 'Terra Nostra' a 'Velho Chico': relembre novelas escritas por Benedito Ruy Barbosa
Autor de marcos da teledramaturgia brasileira como "Pantanal", "O Rei do Gado" e "Terra Nostra", ele era amplamente conhecido por suas sagas rurais, tramas que exploravam a imigração no Brasil
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O renomado dramaturgo e escritor Benedito Ruy Barbosa morreu nesta terça-feira (7), em São Paulo, aos 95 anos. A informação foi confirmada pelo Hospital do Coração (HCor). Autor de marcos da teledramaturgia brasileira como "Pantanal", "O Rei do Gado" e "Terra Nostra", ele era amplamente conhecido por suas sagas rurais, tramas que exploravam a imigração no Brasil e fortes debates sociais integrados a intensas histórias de amor.
Nascido em Gália, no interior paulista, em 1931, Benedito teve uma infância cercada por cafezais e colônias de imigrantes italianos e japoneses — vivência que se tornou a principal matéria-prima de sua obra. Antes de se consolidar na escrita, trabalhou como vendedor de verduras e faxineiro até ingressar como revisor no jornal O Estado de S. Paulo. Sua estreia na televisão ocorreu em 1966 com "Somos Todos Irmãos", na TV Tupi, passando depois por canais como Excelsior, Record e TV Cultura.
Em 1971, consolidou sua parceria com a TV Globo em "Meu Pedacinho de Chão". Ao longo das décadas seguintes, emplacou sucessos avassaladores como "Cabocla" (1979) e "Sinhá Moça" (1986). Em 1990, pela Rede Manchete, fez história com "Pantanal", obra que revolucionou a estética da TV com gravações externas e que ganhou um aclamado remake na Globo em 2022. De volta à emissora carioca, escreveu fenômenos de audiência como "Renascer" (1993), "O Rei do Gado" (1996) — onde pautou a reforma agrária — e "Terra Nostra" (1999).
Legado e Últimos Trabalhos
As novelas de Benedito Ruy Barbosa eram caracterizadas por protagonistas trabalhadores, de valores positivos e forte determinação. Nos anos seguintes, revisitou seus próprios clássicos em novas versões, como o remake lúdico de "Meu Pedacinho de Chão" (2014), onde pôde driblar a censura sofrida na versão original da época da ditadura militar.
Seu último trabalho integral na televisão foi "Velho Chico", veiculada em 2016, que discutiu a preservação ambiental e disputas de terra no sertão nordestino. Mais recentemente, o legado do autor vinha sendo revisitado por meio de novas adaptações de suas obras comandadas por seu neto, o também roteirista Bruno Luperi. Fiel à sua fórmula de sucesso, o escritor resumiu sua filosofia ao Memória Globo: "Antes de mais nada, uma novela precisa ter uma grande história de amor".