31 de julho de 2025
DARK HORSE

Empresa ligada ao financiamento de filme sobre Bolsonaro repassou R$ 26 milhões a firma investigada por lavagem para o PCC

Relatório da PC de São Paulo aponta que empresa citada em investigação sobre o Banco Master realizou transferências para companhia apontada como integrante de esquema de lavagem de dinheiro

Por Redação
Publicado em
Cena do filme Dark Horse - Foto:

A Polícia Civil de São Paulo identificou que a Entre Investimentos e Participações Ltda., empresa ligada ao empresário Antônio Carlos Freixo Junior e citada nas investigações sobre o financiamento do filme "Dark Horse", inspirado na trajetória do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), transferiu mais de R$ 26 milhões para uma empresa suspeita de atuar na lavagem de dinheiro para o Primeiro Comando da Capital (PCC).

As informações constam em relatório final da Operação Saturno, conduzida pela 2ª Delegacia do Departamento Estadual de Prevenção e Repressão ao Narcotráfico (Denarc), obtido pelo Metrópoles.

Segundo o documento, entre fevereiro e abril de 2025, a Entre Investimentos realizou depósitos que somaram exatamente R$ 26.225.110 para a ACX ITC Serviços de Tecnologia Ltda.

A Entre Investimentos ganhou notoriedade após o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) afirmar que recursos enviados pelo banqueiro Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master, por meio da empresa, seriam destinados ao financiamento do filme sobre a vida do ex-presidente Jair Bolsonaro.

Já a ACX ITC é apontada pelos investigadores como uma empresa utilizada para movimentar recursos de origem suspeita. Conforme a Polícia Civil, a companhia faz parte de uma rede de pessoas jurídicas empregadas para ocultar e dar aparência de legalidade a valores ligados ao crime organizado.

O relatório também cita informações do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), segundo as quais a ACX ITC movimentou R$ 918,3 milhões em operações consideradas atípicas. Entre as empresas que aparecem como remetentes de recursos está justamente a Entre Investimentos.

Ainda de acordo com a investigação, a ACX ITC está formalmente registrada em nome de Ericsson Azevedo, vendedor de pipas e rabiolas na capital paulista. Em depoimento à Polícia Civil, ele afirmou que aceitou receber R$ 5 mil para emprestar seu nome e o da esposa para constituir a empresa, admitindo que atuava apenas como "laranja" e que desconhecia a movimentação financeira realizada pela companhia.

Outro ponto destacado pelos investigadores é que a ACX ITC também teria efetuado pagamentos que somam cerca de R$ 1,3 milhão para empresas ligadas a ministros do Superior Tribunal de Justiça (STJ) e do Superior Tribunal Militar (STM). A investigação, entretanto, não aponta que os magistrados tenham participado de irregularidades, mas apura o destino dos recursos e a natureza dessas operações.

Diante da conexão entre a Operação Saturno e outras investigações conduzidas pela Polícia Federal, entre elas as operações Sem Desconto e Compliance Zero, além das apurações envolvendo o Banco Master e fraudes contra o INSS, o caso foi remetido à Justiça Federal.

Ao encaminhar os autos, o delegado Júlio Jesus Encarnação sustentou que havia indícios de integração entre os fluxos financeiros investigados pelo Denarc e aqueles já apurados pela Polícia Federal. O entendimento foi acolhido pelo juiz Paulo Fernando Deroma de Mello, da 1ª Vara de Organização Criminosa e Lavagem de Bens de São Paulo, que determinou o envio de toda a documentação à Justiça Federal para evitar investigações paralelas e decisões conflitantes.

Até o momento, não há decisão judicial que conclua pela responsabilidade criminal da Entre Investimentos, de Antônio Carlos Freixo Junior, de Daniel Vorcaro ou dos demais citados. As investigações seguem em andamento para esclarecer a origem e o destino dos recursos movimentados.