Fim da era Neymar: despedida da Seleção encerra ciclo iniciado após o 7 a 1 e abre nova fase para o Brasil
Última Copa do camisa 10 marca o encerramento de uma geração que viveu o trauma de 2014 e deixa Carlo Ancelotti diante do desafio de reconstruir a equipe rumo a 2030.
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A eliminação da Seleção Brasileira para a Noruega nas oitavas de final da Copa do Mundo de 2026 não representou apenas o fim do sonho do hexacampeonato. O resultado também simbolizou o encerramento de uma das fases mais marcantes da história recente do futebol brasileiro: a era Neymar. Aos 34 anos, o camisa 10 confirmou que não disputará outra Copa do Mundo, encerrando uma trajetória iniciada antes mesmo do Mundial de 2014 e marcada por grandes expectativas, lesões, recordes e frustrações.
A saída de Neymar encerra um ciclo de 16 anos em que a Seleção foi construída, muitas vezes, em torno de seu principal astro. Desde que despontou como promessa ainda antes da Copa de 2010, quando ficou fora da convocação de Dunga, o atacante passou a ser visto como o jogador capaz de recolocar o Brasil no topo do futebol mundial.
Essa expectativa deu origem ao conceito de "Neymardependência", período em que grande parte das esperanças da torcida recaía sobre o talento individual do camisa 10 para decidir partidas e liderar a equipe nos momentos mais difíceis.
O último sobrevivente da geração do 7 a 1
Neymar também encerra sua passagem como o último jogador da Seleção Brasileira que participou do ciclo da Copa de 2014. Embora não tenha estado em campo na derrota por 7 a 1 para a Alemanha, em Belo Horizonte, o atacante integrava aquele elenco e ficou fora da semifinal após sofrer uma fratura na terceira vértebra lombar durante a vitória sobre a Colômbia, nas quartas de final.
A ausência do principal jogador da equipe foi apontada como um dos fatores que antecederam o maior desastre da história da Seleção em Copas do Mundo, consolidando ainda mais a percepção de dependência em relação ao camisa 10.
Nos Mundiais seguintes, Neymar voltou a ser protagonista. Em 2018, chegou à Rússia ainda em recuperação de uma grave lesão no pé direito e viu o Brasil ser eliminado pela Bélgica nas quartas de final. Além da eliminação, ficou marcado pelas reações consideradas exageradas às faltas sofridas durante a competição.
Já em 2022, no Catar, viveu outro capítulo frustrante. Depois de perder jogos da fase de grupos por lesão, retornou nas quartas de final, marcou um belo gol contra a Croácia na prorrogação, mas viu a Seleção ser eliminada nos pênaltis antes mesmo de cobrar sua penalidade.
Novo ciclo exigirá protagonismo coletivo
Sem Neymar, a Seleção inicia oficialmente uma nova etapa sob o comando de Carlo Ancelotti. O treinador italiano terá a missão de reorganizar a equipe sem um protagonista absoluto, distribuindo responsabilidades entre jogadores como Vinícius Júnior, Rodrygo, Endrick, Raphinha e a nova geração que desponta para o ciclo de 2030.
A ausência do maior nome do futebol brasileiro nas últimas duas décadas também representa uma mudança de perfil para a equipe nacional. Em vez de concentrar expectativas em um único atleta, a tendência é que o Brasil busque um modelo mais coletivo, baseado em equilíbrio tático, intensidade e maior divisão de responsabilidades dentro de campo.
A reconstrução começa já nos próximos amistosos e nas Eliminatórias. Depois de mais de uma década tendo Neymar como principal referência técnica e midiática, a Seleção Brasileira inicia um novo capítulo de sua história, tentando transformar o fim de uma era na oportunidade de construir um time mais competitivo para voltar a disputar o título mundial em 2030.