31 de julho de 2025
Na mira de Washington

EUA sancionam brasileiros e empresas por lavagem de dinheiro para o PCC

Departamento do Tesouro americano bloqueia bens de dois cidadãos e firmas financeiras após descobrir movimentação de 30 milhões de dólares em criptomoedas na Flórida

Por Redação
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EUA sancionam cidadãos e empresas brasileiras por suposta ligação com o PCC - Foto: Reprodução

O governo dos Estados Unidos aumentou a pressão contra o crime organizado internacional e mirou diretamente a maior facção criminosa do Brasil. O Departamento do Tesouro americano anunciou nesta quarta-feira (1º) a aplicação de sanções econômicas severas contra dois cidadãos e três empresas brasileiras, acusados de integrar uma rede de lavagem de dinheiro que opera a serviço do Primeiro Comando da Capital (PCC).

A ofensiva busca sufocar a estrutura financeira do grupo fora das fronteiras brasileiras, bloqueando ativos e proibindo qualquer transação comercial de cidadãos ou empresas americanas com os alvos listados.

As investigações da inteligência financeira colocam Victor Henrique de Oliveira Shimada como a peça central do esquema na América do Norte. De acordo com o comunicado oficial das autoridades americanas, Shimada atuava como uma espécie de elo entre o braço do PCC instalado na Flórida e traficantes de drogas estrangeiros.

As autoridades detalharam o modus operandi do suspeito, apontando que ele teria conseguido lavar mais de 30 milhões de dólares em recursos ilícitos gerados em cidades dos Estados Unidos. Para transferir esses fundos de volta ao Brasil sem chamar a atenção do sistema bancário tradicional, o operador utilizava transações complexas com criptomoedas em nome da facção criminosa.

O órgão americano também incluiu nas sanções Stella Stefanie Nunes Henrique de Oliveira. A acusação formal aponta que ela atuava diretamente como uma espécie de secretária nas operações de Shimada, exercendo um papel de confiança e trabalhando ativamente na coleta física de grandes quantias de dinheiro em espécie em solo americano.

Além das pessoas físicas, a rede empresarial usada para mascarar o fluxo financeiro foi desmantelada pelas sanções. O bloqueio atingiu a Wave Construções Inteligentes Ltda (do setor de construção) e as empresas de serviços financeiros Victory Trading Intermediação de Negócios Cobranças e Tecnologia Ltda e Pixwave Soluções de Pagamentos Ltda. A lista de bloqueios internacionais também se estendeu à Europa, alcançando a empresa portuguesa Avenidas Flutuantes Unipessoal LDA.

O subsecretário interino para Terrorismo e Inteligência Financeira, Gene Lange, reforçou o tom de alerta sobre a expansão dos criminosos na região ao justificar a medida drástica.

"Esta designação é mais um passo do governo dos Estados Unidos para enfrentar e reconhecer a presença crescente da geração de receitas ilícitas do Primeiro Comando da Capital dentro de nossas fronteiras."