31 de julho de 2025
POLÍTICA

Justiça da Itália julga novo pedido de extradição de Carla Zambelli por condenação no STF envolvendo porte ilegal de arma

Processo envolve condenação por porte ilegal de arma e constrangimento ilegal; ex-deputada foi sentenciada pelo STF a cinco anos e três meses de prisão

Por Redação
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Corte Suprema de Cassação da Itália analisa novo pedido de extradição da ex-deputada Carla Zambelli. - Foto: Zeca Ribeiro/Câmara dos Deputados

A Corte Suprema de Cassação da Itália analisa nesta quarta-feira (1º) o novo pedido de extradição da ex-deputada federal Carla Zambelli, apresentado pelo governo brasileiro. O processo trata da condenação imposta pelo Supremo Tribunal Federal pelos crimes de porte ilegal de arma de fogo e constrangimento ilegal, relacionados ao episódio ocorrido às vésperas do segundo turno das eleições de 2022.

O novo pedido foi protocolado pela Advocacia-Geral da União e reúne as garantias solicitadas pela Justiça italiana para uma eventual extradição, além de informações sobre a validade da condenação proferida pelo STF. Em nota, a AGU informou que o procedimento observa as regras previstas no tratado de extradição firmado entre Brasil e Itália e nas normas internacionais de cooperação jurídica em matéria penal. O processo tramita sob sigilo.

Zambelli foi condenada pelo STF a cinco anos e três meses de prisão por perseguir, armada, um jornalista pelas ruas do bairro dos Jardins, em São Paulo, durante o período eleitoral de 2022. O relator do caso foi o ministro Gilmar Mendes, que encaminhou à AGU documento reafirmando a regularidade do julgamento e fornecendo as garantias exigidas pelas autoridades italianas para subsidiar o novo pedido de extradição.

Novo pedido após negativa em outro processo

Este é o segundo pedido de extradição apresentado pelo Brasil à Justiça italiana. Em junho deste ano, a Corte de Cassação rejeitou a entrega de Zambelli no processo referente à condenação pela invasão aos sistemas do Conselho Nacional de Justiça.

Na ocasião, os magistrados italianos entenderam que havia dúvidas sobre a imparcialidade do julgamento em razão da atuação do ministro Alexandre de Moraes, apontando que ele teria acumulado funções de relator e de vítima dos fatos investigados naquele processo. A decisão também estabeleceu condições para uma eventual extradição, como o cumprimento da pena na Penitenciária Feminina do Distrito Federal, acesso irrestrito à defesa e ao consulado italiano, além do envio periódico de informações sobre o estado de saúde da ex-deputada à Embaixada da Itália.

Diferentemente do primeiro caso, o processo analisado nesta quarta-feira não envolve Alexandre de Moraes como relator ou vítima, circunstância apontada por especialistas como um dos fatores que podem levar a uma avaliação distinta pela Justiça italiana.