"Paulo Dantas, cadê você?": Cobrança ao governador e clamor por UTI marcam protesto após tentativa brutal de feminicídio
Jovem está com 90% do corpo queimado e internada no HGE; revoltados com a demora por um leito de alta complexidade, familiares fecharam via na Bomba do Gonzaga
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Familiares e moradores da capital alagoana realizaram um forte protesto na região da Bomba do Gonzaga nesta última segunda-feira (29). O motivo da mobilização, além do pedido de justiça, é um apelo desesperado pela sobrevivência: a vítima, Ana Paula, aguarda uma vaga urgente na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do Hospital Geral do Estado (HGE).
Nas redes sociais e durante a manifestação, o tom foi de cobrança direta à gestão estadual. "Paulo Dantas, cadê você? O governo não faz nada! Ela está entre a vida e a morte. Queremos a UTI e justiça", desabafou um dos familiares, expondo o drama da fila regulatória da saúde pública em Alagoas em casos de extrema urgência.
Barbárie motivada por ciúmes
O crime aconteceu no bairro do Tabuleiro do Martins. Segundo o relato da própria vítima à polícia, seu companheiro a levou à força para uma área de mata. Durante uma crise de ciúmes, o homem jogou combustível e ateou fogo no corpo da jovem.
Ela conseguiu ser socorrida, mas deu entrada no HGE em estado gravíssimo. O ataque brutal resultou em queimaduras extensas em cerca de 90% do corpo, perda total dos cabelos e lesões graves na região dos olhos.
O agressor também sofreu queimaduras durante a ação e acabou preso em flagrante pela polícia justamente quando tentava receber atendimento médico em uma unidade de saúde.
O gargalo da UTI e o tempo contra a vida
A manifestação travou o trânsito na Bomba do Gonzaga e jogou luz sobre um problema crônico enfrentado pela população que depende do Sistema Único de Saúde (SUS) no estado: a demora na liberação de leitos de alta complexidade.
Para pacientes com o perfil da jovem, grande queimada e correndo risco iminente de morte, cada hora sem o suporte avançado de uma UTI diminui as chances de recuperação e aumenta o risco de infecções generalizadas. Enquanto o HGE tenta estabilizar o quadro clínico na área de emergência, a família segue em vigília, travando uma corrida contra o relógio para que o governo viabilize a transferência imediata para o setor intensivo.