Estudo aponta maior prevalência de vaginose entre mulheres que fazem sexo com mulheres
Pesquisa observa associação entre práticas sexuais, microbiota vaginal e uso de acessórios íntimos
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A vaginose bacteriana é uma condição caracterizada pelo desequilíbrio da microbiota vaginal, com redução de bactérias benéficas, como os lactobacilos, e aumento de outras bactérias, como a Gardnerella vaginalis. Embora seja relativamente comum, um estudo publicado no The Brazilian Journal of Infectious Diseases identificou maior prevalência da condição entre mulheres que fazem sexo com mulheres.
A pesquisa analisou diferentes grupos de mulheres com práticas heterossexuais, bissexuais e homossexuais e observou taxas mais altas de vaginose bacteriana entre participantes dos dois últimos grupos. O estudo também levantou a hipótese de que fatores como troca de fluidos e uso compartilhado de acessórios sexuais podem estar associados a esse aumento, embora os próprios pesquisadores ressaltem que ainda são necessárias investigações mais aprofundadas para confirmar os mecanismos envolvidos.
Especialistas destacam que a vaginose bacteriana não é considerada uma infecção sexualmente transmissível (IST), mas pode estar relacionada a fatores que alteram o equilíbrio da flora vaginal, incluindo atividade sexual, alterações hormonais e mudanças no pH da região íntima.
Entre os principais sintomas estão corrimento vaginal fino de coloração esbranquiçada ou acinzentada, odor forte — especialmente após relações sexuais —, ardência ao urinar e leve irritação ou coceira.
De acordo com orientações de saúde, alguns cuidados podem ajudar a reduzir o risco de desequilíbrio da microbiota vaginal, como o acompanhamento ginecológico regular, a higienização adequada de acessórios sexuais com água e sabão antes e depois do uso, o uso de preservativos em brinquedos sexuais compartilhados e a evitação de duchas vaginais, que podem alterar o pH natural da região.
Profissionais de saúde também reforçam a importância de ampliar o debate sobre saúde sexual de mulheres que fazem sexo com mulheres, um grupo que historicamente enfrenta menor acesso a informações e acompanhamento ginecológico adequado.