31 de julho de 2025
Contraste no São João

Absurdo: Cidades em emergência lideram gastos milionários com shows em Pernambuco

Dados do Ministério Público revelam que Arcoverde, Araripina e Santa Cruz do Capibaribe torraram quase R$ 18 milhões em cachês mesmo enfrentando seca severa

Por Redação
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Com Roberto Carlos e João Gomes, programação do São João 2026 de Caruaru é divulgada - Foto: Elvis Edson/PMC

O Diário Oficial de Pernambuco desta terça-feira (30) expôs uma contradição gritante no agreste e sertão do estado. No mesmo dia em que o governo estadual declarou Situação de Emergência em 75 municípios devido a uma severa estiagem e seca hidrológica, dados do Ministério Público (MPPE) revelaram que três dessas cidades estão no topo das que mais gastaram dinheiro público com shows juninos em 2026.

Juntas, Arcoverde, Araripina e Santa Cruz do Capibaribe despejaram R$ 17,84 milhões em contratações artísticas. O decreto do governo ressalta que a população local "não tem condições satisfatórias de superar os prejuízos" sem ajuda estatal, o que joga luz sobre as prioridades fiscais das prefeituras.

Os cachês mais altos da seca

O Painel de Transparência das Festividades Juninas do MPPE detalhou o ranking dos gastos. Arcoverde, no Sertão do Moxotó, ficou na quinta posição geral, desembolsando R$ 7,5 milhões. A prefeitura bancou o cachê mais caro do estado, pagando R$ 1,5 milhão por uma apresentação de Wesley Safadão, além de R$ 800 mil para Xand Avião.

Logo atrás, na sétima colocação, aparece Araripina. O município do Sertão do Araripe gastou R$ 5,93 milhões para apenas 12 shows. A cidade repetiu o cachê de R$ 1,5 milhão para Wesley Safadão e pagou o mesmo valor a Gusttavo Lima, além de R$ 850 mil para Natanzinho Lima.

Fechando o trio em emergência, Santa Cruz do Capibaribe, no Agreste, ocupou o oitavo lugar do ranking com R$ 4,41 milhões investidos. O show mais caro por lá foi o de Simone Mendes, que custou R$ 900 mil aos cofres públicos.

Ministério Público aperta o cerco contra abusos

O Painel de Transparência foi criado pelo MPPE de forma preventiva exatamente para fiscalizar os gastos com festas em períodos de crise. Até o momento, 136 municípios compartilharam seus dados, revelando que os contratos juninos em Pernambuco já passam dos R$ 173 milhões. As cidades têm até o dia 2 de julho para enviar o restante das informações.

Enquanto as prefeituras justificam os gastos como fomento à cultura e ao turismo, o decreto estadual de emergência — válido por 180 dias — lembra que a falta de água nos reservatórios exige ações urgentes e recursos para restabelecer a normalidade do abastecimento básico nessas mesmas regiões.