31 de julho de 2025
MUNDO

Unicef estima que 3,9 milhões de crianças vivem em áreas afetadas pelos terremotos na Venezuela

Organização alerta para riscos enfrentados pela população infantil e reforça necessidade de ampliar a ajuda humanitária

Por Redação
Publicado em
Voluntários buscam sobreviventes em meio a escombros de prédios destruídos por terremotos em Caraballeda, no estado de La Guaira, na Venezuela, em 28 de junho de 2026. - Foto: Miguel Medina/Pool/AFP

O Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) estima que cerca de 3,9 milhões de crianças e adolescentes vivem nas regiões atingidas pelos terremotos que devastaram a Venezuela na última quarta-feira (24). A organização alerta que milhares de famílias continuam em situação de vulnerabilidade devido aos danos provocados pelos tremores e ao risco de novos abalos.

Os terremotos atingiram Caracas e os estados de Aragua, Carabobo, Falcón, La Guaira e Miranda. Segundo o Unicef, dezenas de edifícios desabaram e há crianças entre as vítimas.

A diretora executiva da organização, Catherine Russell, classificou a situação como devastadora e destacou que a proteção da infância deve ser prioridade nas ações de resposta.

“As imagens que estamos vendo da Venezuela e os relatos que ouvimos de nossos colegas em campo são devastadores. À medida que a dimensão dos danos se torna mais clara, a segurança, a proteção e o bem-estar das crianças devem permanecer no centro da resposta”, afirmou.

O Unicef informou que atua em conjunto com as autoridades venezuelanas e organizações parceiras para identificar as necessidades mais urgentes da população. Entre as prioridades estão a ampliação do acesso à assistência médica, água potável, saneamento básico, apoio psicossocial e criação de espaços seguros para crianças e adolescentes.

Antes dos terremotos, a agência havia lançado um apelo humanitário de US$ 137,6 milhões para atender a população venezuelana em 2026. Até o momento da tragédia, apenas 35% desse valor havia sido financiado.

A especialista em parcerias do Unicef, Letizia, que vivenciou os tremores, relatou o impacto da tragédia.

“Há alguns dias, eu estava no escritório quando a terra começou a tremer. Minha primeira preocupação foi saber se as minhas filhas pequenas estavam bem. Quando consegui voltar para casa, o impacto foi muito grande. Felizmente, encontrei minhas filhas sãs e salvas. Mas nem todos os pais tiveram a mesma sorte. Há crianças que perderam seus pais. O cenário é muito difícil e acredito que estamos vendo apenas a ponta do iceberg”, disse.

Ela ressaltou que, além do fornecimento de serviços essenciais, é fundamental garantir que as crianças retomem a rotina.

“Essas crianças precisam voltar a se sentir seguras e tranquilas. Elas precisam retornar à escola, a espaços seguros e acolhedores, onde possam reencontrar seus amigos e retomar uma rotina normal”, afirmou.

Segundo o balanço mais recente divulgado pelas autoridades venezuelanas, o número de mortos em consequência dos terremotos já chegou a 1.719 pessoas, enquanto as equipes de resgate seguem atuando nas áreas mais atingidas.