Criança de 11 anos é resgatada viva após três dias sob escombros na Venezuela
Retirada com vida em La Guaira, sobrevivência do menino injeta fôlego nas buscas; população, porém, se revolta e acusa governo de omissão no desastre
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No momento mais crítico das operações de socorro, quando as chances de sobrevivência começavam a se esgotar, um verdadeiro milagre renovou as forças das equipes de resgate. Na madrugada deste domingo (28), um menino de 11 anos foi retirado com vida debaixo das toneladas de concreto de um prédio que desabou na cidade litorânea de Caraballeda, no estado de La Guaira.
O resgate histórico acontece mais de 72 horas após os dois violentos terremotos de 7,2 e 7,5 graus na escala Richter transformarem o norte da Venezuela em uma zona de guerra. A notícia do salvamento foi confirmada e celebrada pela presidente interina do país, Delcy Rodríguez, por meio de seus canais oficiais na internet.
“Há poucos minutos, um menino de 11 anos foi resgatado com vida em Caraballeda. Nestas horas, cada vida é esperança para a Venezuela”, declarou a governante na noite de sábado (27).
Apesar do clima de emoção com o salvamento do garoto, o episódio serviu de estopim para uma onda de indignação popular contra o Palácio de Miraflores. Nas redes sociais, sobreviventes e ativistas denunciam uma lentidão criminosa na assistência do governo federal, acusando o atual comando do país de paralisia diante da tragédia que já contabiliza 1.430 mortos, 3.238 feridos e dezenas de milhares de desaparecidos.
A revolta ganhou ainda mais força com o posicionamento público de formadores de opinião. Respondendo diretamente à publicação da presidente interina — que foi aliada histórica do regime de Nicolás Maduro, preso pelas autoridades dos Estados Unidos em janeiro —, o influente jornalista venezuelano Eduardo Menoni subiu o tom e vocalizou o sentimento de abandono da população.
"Graças a você e ao seu regime assassino, nas primeiras 36 horas morreram milhares de venezuelanos. Não enviaram ajuda e não organizaram uma resposta ao desastre natural", disparou o profissional de imprensa, expondo a gravíssima crise política que se mistura à maior catástrofe humanitária do país em mais de um século.