Valdemar Costa Neto entra em cena para blindar Flávio Bolsonaro e abafar crise com Michelle
Em evento em Goiás com a "seleção de Bolsonaro", presidente do PL defende escolha de herdeiro político para o Planalto; senador veste branco e diz que brigas são "página virada"
Publicado em
O presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto, subiu ao palanque neste sábado (27), em Goiânia (GO), com uma missão clara: estancar a sangria provocada pela guerra familiar e consolidar o nome do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) como o único e oficial candidato da sigla à Presidência da República. Evitando citar o nome da ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro, o dirigente partidário avalizou a linha sucessória e garantiu que o ex-presidente Jair Bolsonaro fez a "melhor escolha" para o país.
A presença de Valdemar no evento em solo goiano foi estratégica. O cacique político precisou antecipar seu retorno dos Estados Unidos para o Brasil justamente para conter os danos do racha público entre os irmãos Bolsonaro e a madrasta. No discurso de blindagem ao pré-candidato, o presidente da legenda fez questão de exaltar o faro político de Jair Bolsonaro para legitimar o herdeiro.
"Vou dizer para vocês. Flávio foi escolhido pelo presidente Bolsonaro. Bolsonaro sempre fez a melhor escolha, teve quatro anos de governo e só governou dois anos por causa da pandemia que parou o mundo", discursou Valdemar Costa Neto.
Enquanto os bastidores partidários ainda fervem, Flávio Bolsonaro tentou projetar uma imagem de calmaria e superação. Questionado por jornalistas antes de participar de uma romaria religiosa no estado, o senador evitou dar detalhes sobre ter ou não conversado com a madrasta, mas mandou um recado claro de que o foco agora é a campanha, exibindo uma vestimenta simbólica.
"[Caso com a Michelle] já é página virada, hoje vim com uma camiseta branca da paz aqui, vamos caminhar! Visitei meu pai hoje, estava bem. O estado de saúde dele é difícil, mas está indo", declarou o senador.
A crise que o partido tenta enterrar explodiu após Michelle publicar vídeos contundentes acusando Flávio de "humilhação" e de desferir uma "punhalada" pelas costas. O pomo da discórdia envolve o desenho eleitoral no Ceará, onde Michelle defende o apoio a Eduardo Girão (Novo), enquanto Flávio e o deputado André Fernandes costuraram uma aliança pragmática com o grupo de Ciro Gomes.
Alheio às queixas de Michelle, o evento em Goiânia serviu para lançar as pré-candidaturas majoritárias locais, incluindo o senador Wilder Morais (PL) ao governo de Goiás e Ana Paula Rezende (PL) como vice, além de nomes competitivos ao Senado como Gustavo Gayer (PL). Batizada pelos organizadores de “seleção do Bolsonaro”, a agenda usou a temática da Copa do Mundo para demonstrar unidade e força, começando o dia com um café da manhã fechado entre Flávio, Wilder Morais e expressivas lideranças do segmento evangélico da região.