31 de julho de 2025
SAÚDE

Canetas emagrecedoras começam a ser testadas em pacientes do SUS no Rio Grande do Sul

Projeto-piloto acompanhará 250 pacientes com obesidade grave durante dois anos para avaliar eficácia, segurança e custos da semaglutida no sistema público

Por Redação
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Medicamento se chama Ozivy e é uma versão sintética do mesmo princípio ativo do Ozempic - Foto: Pavel Danilyuk/Pexels

O Ministério da Saúde anunciou nesta sexta-feira (26) o início de um projeto-piloto que vai testar o uso da semaglutida, princípio ativo das chamadas canetas emagrecedoras, em pacientes atendidos pelo Sistema Único de Saúde (SUS). A iniciativa será desenvolvida no Grupo Hospitalar Conceição (GHC), em Porto Alegre (RS), e pretende avaliar a eficácia, a segurança e o custo do tratamento no sistema público.

Batizado de Real-Bari, o estudo acompanhará 250 pacientes com obesidade grave ou associada a outras doenças. Todos os participantes já são acompanhados pelo GHC e deverão atender a critérios específicos para integrar a pesquisa.

Entre os requisitos estão diagnóstico de obesidade há pelo menos 12 meses, falha comprovada no tratamento convencional — incluindo dieta e prática regular de atividade física por, no mínimo, dois meses — e capacidade de realizar a autoaplicação do medicamento ou contar com um cuidador para esse procedimento.

Pesquisa terá duração de dois anos

Durante os dois anos de acompanhamento, os pesquisadores irão analisar indicadores como percentual de perda de peso, melhora da qualidade de vida, resultados de exames clínicos, condições pós-operatórias e os custos do tratamento para o SUS.

O projeto busca avaliar o impacto clínico e econômico dos medicamentos à base de GLP-1 no tratamento da obesidade, contribuindo para futuras decisões sobre a incorporação dessa tecnologia ao sistema público de saúde.

Durante a cerimônia de lançamento do programa, um dos pacientes selecionados recebeu a primeira aplicação da semaglutida.

Ministério destaca caráter pioneiro

Segundo o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, o Brasil passa a integrar um grupo de países que estudam o uso desse tipo de medicamento na rede pública.

"Estamos estimulando estudos nessa tecnologia para que o país se aprimore, cada vez mais, da sua produção e oferta de forma segura. Nesse primeiro momento, ela é muito importante para o diabetes e a obesidade, mas pode se estender também a outras doenças crônicas e até mesmo para o tratamento de cânceres", afirmou.

O protocolo da pesquisa foi elaborado pelo Grupo Hospitalar Conceição em parceria com o Ministério da Saúde e estabelece critérios para garantir a segurança dos participantes e o acompanhamento contínuo por equipes médicas especializadas.

Perfil dos pacientes

De acordo com o GHC, 91% dos pacientes acompanhados pelo hospital apresentam obesidade mórbida. Desses, apenas 47% possuem indicação para cirurgia bariátrica, o que reforça a necessidade de novas alternativas terapêuticas.

A pesquisa será financiada por recursos repassados ao hospital por meio da Fundação de Apoio da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (FAURGS), provenientes de aporte financeiro da empresa fabricante do medicamento.