Até quando o silêncio vai reinar? Clã de Tereza Nelma precisa explicar a investigação sobre os R$ 9 milhões enviados à Pestalozzi
Diante de graves inconsistências apontadas pela CGU e buscas da Polícia Federal, sociedade alagoana exige respostas sobre o verdadeiro destino do dinheiro público e o suspeito contrato de aluguel em família
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A sociedade alagoana não pode mais aceitar de braços cruzados a facilidade com que políticos fazem verdadeira farra com o dinheiro dos impostos, destinando cifras milionárias para entidades controladas por suas próprias órbitas familiares. O mais recente escândalo a exigir uma profunda e rigorosa apuração envolve a Associação Pestalozzi de Maceió, que virou alvo da Polícia Federal. É preciso questionar, com total indignação: até quando os órgãos fiscalizadores serão afrontados por esquemas que parecem desenhados para beneficiar assessores, aliados e parentes de quem está no poder?
As investigações da Controladoria-Geral da União (CGU) já colocaram o dedo na ferida ao descobrir uma série de inconsistências absurdas na prestação de contas da instituição. A grande pergunta que não quer calar é como a ex-deputada federal Tereza Nelma, atual secretária do governador Paulo Dantas (MDB), justifica o envio de quase nove milhões de reais em emendas parlamentares para essa única entidade, em um circuito financeiro que ainda ganha o reforço das verbas carimbadas por sua filha, a vereadora Teca Nelma. Tratar o dinheiro do povo como propriedade privada e sem a transparência exigida por lei é um soco no estômago do cidadão.
Para piorar o cenário que clama por punição, a denúncia trazida à tona pelo jornal O Globo revela uma afronta direta aos princípios mais básicos do direito público, como a impessoalidade e a moralidade. Descobriu-se que o imóvel onde funciona a sede da Pestalozzi pertence a Renato Viana Soares, marido da ex-deputada. É inadmissível que o cônjuge da parlamentar que irriga a ONG receba quase onze mil reais mensais de aluguel vindos justamente desses recursos públicos. Ao afirmar cinicamente que "não existe crime" em embolsar essa quantia, Renato tenta normalizar o que é moralmente inaceitável.
Enquanto a Pestalozzi se esquiva por meio de notas oficiais, prometendo corrigir meros "equívocos de procedimento" e negando desvios, a população exige que a verdade apareça por completo. Não basta prometer colaboração com a CGU quando o estrago na confiança pública já foi feito. Da mesma forma, o silêncio sepulcral de Tereza Nelma diante dos questionamentos da imprensa é uma postura covarde que só aumenta a suspeita coletiva.
Quem lida com milhões do erário tem a obrigação de vir a público dar explicações imediatas, e as autoridades não podem recuar até que cada centavo dessa farra com ONGs seja devidamente justificado.