Entenda o terremoto na Venezuela: especialista explica causa dos fortes abalos que deixaram centenas de mortos
Fenômeno ocorreu na placa do Caribe, em região de alta instabilidade geológica, e já é considerado um dos mais intensos da história
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Dois fortes terremotos atingiram a costa norte da Venezuela na noite de quarta-feira (24), provocando destruição em diferentes regiões do país. De acordo com dados atualizados, os abalos deixaram 164 mortos e 971 feridos, número superior às estimativas iniciais.
Segundo o analista de clima e meio ambiente Pedro Côrtes, ouvido pela CNN Brasil, o fenômeno é considerado raro na região em termos de intensidade. Ele destacou que não havia registros de tremores dessa magnitude na Venezuela há cerca de um século.
O especialista explica que o país está localizado sobre a placa do Caribe, uma estrutura tectônica de pequenas dimensões, mas altamente instável. Essa placa sofre pressão constante de outras formações geológicas ao seu redor, como as placas Sul-Americana, Norte-Americana e de Cocos, o que aumenta a complexidade sísmica da região.
De acordo com Côrtes, essa combinação de forças torna os terremotos na área pouco frequentes, mas possíveis devido ao acúmulo de tensão entre as placas tectônicas.
Outro fator que agravou os impactos foi a profundidade dos tremores. O primeiro abalo ocorreu a cerca de 10 quilômetros abaixo da superfície, o que é considerado raso do ponto de vista geológico. Essa característica aumenta a intensidade das ondas sísmicas ao atingirem a superfície, ampliando os danos em construções e áreas urbanas.
O especialista também alertou para a possibilidade de réplicas nos próximos dias, o que pode elevar o número de vítimas e agravar a situação de edifícios já comprometidos.
“O que a gente tem visto é que, infelizmente, talvez essa perspectiva não seja exagerada”, afirmou Côrtes ao comentar projeções de danos mais severos.
Os tremores foram sentidos também em cidades brasileiras da Região Norte, como Belém e Manaus, embora sem registro de danos estruturais relevantes. Segundo o analista, a distância do epicentro fez com que as ondas sísmicas chegassem enfraquecidas ao território brasileiro.
Por fim, ele esclareceu que os terremotos registrados em outros países no mesmo período, como Japão e Estados Unidos, não possuem relação com o evento ocorrido na Venezuela, sendo fenômenos independentes devido à distância geográfica entre as regiões.