31 de julho de 2025
OPERAÇÃO DISCLOSURE

PF mira executivos de Itaú, Bradesco e Santander em nova fase da investigação sobre fraude na Americanas

Polícia Federal apura possível participação de funcionários de instituições financeiras em esquema que ocultava operações bilionárias da varejista

Por Redação
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PF mira executivos de Itaú, Bradesco e Santander em nova fase da investigação sobre fraude na Americanas - Foto:

A segunda fase da Operação Disclosure, deflagrada pela Polícia Federal nesta quinta-feira (25), colocou na mira cinco executivos ligados ao Itaú, Bradesco e Santander. A ação faz parte das investigações sobre a fraude contábil bilionária nas Americanas, estimada em R$ 25,2 bilhões.

Embora os motivos específicos da inclusão dos executivos na operação não tenham sido detalhados pela PF, a corporação já havia apontado, em relatório enviado à Justiça em 2024, suspeitas de envolvimento de funcionários de instituições financeiras em práticas destinadas a ocultar informações sobre operações financeiras da companhia.

OPERAÇÕES DE RISCO ESTÃO NO CENTRO DAS INVESTIGAÇÕES

As apurações se concentram nas chamadas operações de “risco sacado”, modalidade em que bancos assumem dívidas de empresas junto a fornecedores.

Segundo a Polícia Federal, essas operações deveriam constar de forma clara nos balanços da Americanas e nas cartas de circularização utilizadas por auditorias externas. No entanto, os investigadores apontam que informações sobre essas transações teriam sido omitidas.

De acordo com relatório da PF, ex-executivos da varejista teriam tentado convencer funcionários de bancos a alterar ou omitir dados nas cartas de circularização para evitar que as operações fossem identificadas durante auditorias.

“A audácia do grupo criminoso era tão grande que eles chegavam a cooptar funcionários dos bancos para que alterassem as cartas de circularização”, registrou a PF no documento.

QUEM SÃO OS EXECUTIVOS CITADOS

Entre os alvos da operação estão:

  • Gustavo Balassiano, ex-executivo do Itaú BBA e atualmente ligado à XP Investimentos;
  • José de Castro Araújo Rudge Filho, co-diretor de infraestrutura e energia do Itaú;
  • Carlos Henrique Villela Pedras, diretor do Bradesco e integrante do conselho da Alelo;
  • André Juaçaba de Almeida, vice-presidente da área de corporate banking do Santander;
  • Alexandre Abdo, executivo do Santander responsável por setores como tecnologia, telecomunicações, logística e aviação.

BANCOS AFIRMAM COLABORAR COM AS INVESTIGAÇÕES

Em nota, o Itaú informou que não é investigado e afirmou colaborar com as autoridades desde 2023. A instituição destacou que foi uma das prejudicadas pela fraude e que já apresentou documentos à Justiça comprovando a regularidade de sua atuação.

O Santander declarou que segue colaborando com as autoridades desde o início das apurações e reafirmou seu compromisso com a ética e a transparência.

Já o Bradesco informou que acompanha o caso e permanece à disposição dos órgãos responsáveis pelas investigações.A Polícia Federal continua apurando a extensão da participação de pessoas ligadas às instituições financeiras no esquema que resultou em uma das maiores fraudes corporativas da história do país.