Jaques Wagner deixa liderança do governo no Senado após conversa com Lula e prioriza defesa em investigação da PF
Senador afirma que vai concentrar esforços na defesa contra investigação da Polícia Federal e na disputa pela reeleição em 2026
Publicado em
O senador Jaques Wagner (PT-BA) anunciou nesta quarta-feira (24) que deixará o cargo de líder do governo no Senado Federal. A decisão foi tomada após uma reunião com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e, segundo o parlamentar, ocorreu em comum acordo.
O anúncio foi feito por meio das redes sociais. Na publicação, Jaques Wagner afirmou que teve uma conversa com Lula e que, neste momento, pretende direcionar seus esforços para a defesa no processo em que é investigado e para a campanha eleitoral de 2026.
"Acabei de ter uma ótima reunião com o presidente Lula, uma conversa entre amigos, e decidimos, em comum acordo, que me afastarei da liderança do governo no Senado Federal", escreveu o senador.
Na mesma mensagem, o petista afirmou que sua prioridade será comprovar a própria inocência e trabalhar pela reeleição do presidente Lula, do governador da Bahia, Jerônimo Rodrigues, além de sua candidatura à reeleição ao Senado, ao lado do ministro Rui Costa.
Jaques Wagner foi alvo da Operação Compliance Zero, deflagrada pela Polícia Federal na semana passada. Durante o cumprimento de mandados de busca e apreensão, agentes encontraram aproximadamente R$ 600 mil em dinheiro vivo em endereços ligados ao senador.
Segundo a defesa, os valores são provenientes de diárias pagas pelo Senado Federal e de recursos próprios do parlamentar.
A investigação apura um suposto esquema de corrupção, lavagem de dinheiro e crimes financeiros envolvendo o extinto Banco Master.
Nesta semana, os advogados de Jaques Wagner recorreram ao Supremo Tribunal Federal (STF) para tentar anular a decisão que autorizou as buscas e apreensões.
A defesa sustenta que houve erros graves na autorização judicial expedida pelo ministro André Mendonça.
A decisão permitiu a apreensão de valores em espécie superiores a R$ 20 mil, além de celulares, computadores, documentos, joias, obras de arte e outros bens considerados relevantes para a investigação.
Até o momento, Jaques Wagner nega qualquer irregularidade e afirma que irá concentrar sua atuação na comprovação de sua inocência perante a Justiça.