Veterinária presa por incendiar marido diz à polícia que queria apenas “assustá-lo”
Mulher afirmou que ateou fogo após suspeitar de uma traição; servidor federal sofreu queimaduras em 80% do corpo e permanece internado em estado grave
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A médica veterinária Lidiane Cecília Pereira, de 42 anos, presa após atear fogo no próprio marido durante uma discussão em Campo Grande (MS), afirmou em depoimento à Polícia Civil que não tinha a intenção de feri-lo gravemente e que queria apenas “assustá-lo” para que ele admitisse uma suposta traição.
O caso ocorreu na segunda-feira (22), no bairro Santa Luzia. A vítima, Carlitos Fioravante Vieira de Oliveira, de 41 anos, servidor do Ministério da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos (MGI), sofreu queimaduras em cerca de 80% do corpo e segue internada em estado grave na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) de um hospital particular da capital sul-mato-grossense.
Segundo o depoimento prestado ao delegado Felipe de Oliveira Paz, a mulher relatou que mantém um relacionamento de 26 anos com o companheiro e que o casal enfrentava uma crise. As discussões teriam começado na noite anterior e continuado na manhã seguinte.
De acordo com a investigada, enquanto o marido arrumava uma mochila para retornar a Brasília, ela pegou um recipiente com álcool de limpeza na cozinha e despejou parte do conteúdo sobre os pertences dele.
“Eu joguei parte do vidro de álcool na mochila, porque era a mochila com pertences dele que eu queria queimar”, afirmou.
A veterinária contou ainda que acompanhou o marido até a garagem e acionou um isqueiro que carregava no bolso do casaco. Segundo ela, a intenção era apenas intimidá-lo.
“Eu quis assustar ele com o barulho do isqueiro”, declarou.
Lidiane afirmou que não percebeu imediatamente que as chamas haviam atingido as roupas do companheiro e que tentou retirar a camiseta em chamas. Durante a tentativa, os dois teriam caído no chão.
A filha do casal, Lana, presenciou parte da ocorrência e utilizou uma mangueira para apagar o fogo.
Após o incêndio, a vítima foi levada ao Hospital da Cassems e posteriormente transferida para outra unidade devido à gravidade dos ferimentos.
Antes de ser submetido aos procedimentos médicos e colocado em coma induzido, Carlitos informou à equipe de saúde que a esposa havia sido responsável por atear fogo nele.
A mulher foi impedida de entrar no hospital e acabou presa em flagrante após a Polícia Militar ser acionada.
Durante o depoimento, Lidiane afirmou estar arrependida.
“É claro que eu me arrependo. Eu não queria ter feito isso. Não era minha intenção machucar ele. Eu dava tudo para voltar atrás. Foi só para assustar”, disse.
Ela também informou que possui diagnóstico de transtorno de ansiedade generalizada e depressão, além de estar sem tomar os medicamentos prescritos há cerca de 15 a 20 dias.
A Justiça converteu a prisão em flagrante em prisão preventiva durante audiência de custódia realizada na terça-feira (23). O caso segue sob investigação.