Mulher que simulava câncer da filha para aplicar golpes em boxes de crossfit afirma em depoimento: ''Caí em tentação''
A fraude consistia na venda de bilhetes de uma rifa inexistente, cobrando R$ 30 por um nome ou R$ 50 por dois, com pagamentos direcionados via Pix
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Uma mulher de 26 anos, investigada por aplicar golpes em frequentadores de academias e boxes de crossfit de Goiás e do Distrito Federal utilizando a falsa história de que sua filha de 3 anos sofria de câncer, obteve liberdade provisória. A decisão foi proferida pelo Poder Judiciário de Goiás após audiência de custódia, mediante o pagamento de uma fiança estipulada em R$ 5 mil.
Em seu depoimento formal perante a Polícia Civil, a mulher confessou a fraude. Ela admitiu que, embora a criança tenha recebido diagnóstico de leucemia linfoblástica aguda no passado, a doença já não existia quando ela passou a arrecadar os valores. A suspeita justificou a ação dizendo que percebeu a comoção pública gerada e que "caiu em tentação" diante da facilidade em conseguir recursos financeiros, alegando ter usado o montante para o sustento da família.
As investigações conjuntas das polícias Civil e Militar indicam que a suspeita adotava uma metodologia planejada para conquistar a confiança das vítimas. Ela frequentava as unidades esportivas vestindo roupas de treino e em turnos alternados, alegando ser aluna de outros estabelecimentos parceiros na região.
Para dar veracidade à história, ela realizava pesquisas prévias sobre os nomes dos professores de cada local e citava termos técnicos e exames específicos voltados ao tratamento de metástase. A fraude consistia na venda de bilhetes de uma rifa inexistente, cobrando R$ 30 por um nome ou R$ 50 por dois, com pagamentos direcionados via Pix. Contudo, ela apenas anotava os dados dos compradores, sem fornecer canhotos ou comprovantes da disputa.
A prisão em flagrante ocorreu na rodovia GO-330, perto do município de Urutaí (GO). Com a investigada, os policiais apreenderam cerca de R$ 17 mil em espécie, cartões bancários, dois telefones celulares e cartelas contendo aproximadamente 350 nomes de compradores. Estima-se que as ações tenham deixado ao menos 200 vítimas em quatro bairros de Catalão (GO), além de registros em outros municípios goianos e no Distrito Federal.
Na mesma decisão que concedeu a liberdade provisória, o magistrado autorizou a extração integral dos dados armazenados nos aparelhos celulares apreendidos e decretou a quebra do sigilo financeiro das contas bancárias atreladas às chaves Pix da suspeita. As medidas visam mensurar o volume financeiro movimentado e identificar novas vítimas. A Polícia Civil do Distrito Federal confirmou a existência de múltiplos boletins de ocorrência abertos contra a investigada, que responde pelo crime de estelionato.