31 de julho de 2025
DATAFOLHA

Maioria apoia classificação de PCC e CV como terroristas, mas rejeita interferência dos EUA, diz pesquisa

Levantamento mostra que 59% dos brasileiros defendem enquadramento das facções como organizações terroristas, enquanto 74% se posicionam contra qualquer tipo de ingerência norte-americana em assuntos internos do Brasil

Por Redação
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Governo brasileiro tem se posicionado contra a classificação - Foto:

A maioria dos brasileiros apoia a classificação do Primeiro Comando da Capital (PCC) e do Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas, segundo pesquisa Datafolha divulgada nesta terça-feira (23). Ao mesmo tempo, o levantamento aponta forte resistência à possibilidade de interferência dos Estados Unidos em questões relacionadas ao combate às facções no Brasil.

De acordo com a pesquisa, 59% dos entrevistados concordam que PCC e CV devem ser enquadrados como grupos terroristas. Já 74% afirmam ser contrários a qualquer tipo de ingerência norte-americana em assuntos internos do país, mesmo quando relacionada ao enfrentamento do crime organizado.

O debate ganhou força após o governo do presidente Donald Trump oficializar a inclusão das duas maiores facções criminosas brasileiras em listas de organizações terroristas mantidas pelos Estados Unidos. A medida entrou em vigor neste mês e permite o uso de instrumentos mais rigorosos de combate financeiro e cooperação internacional contra os grupos.

O governo brasileiro tem se posicionado contra a classificação. A gestão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva argumenta que a legislação nacional define terrorismo de forma diferente e sustenta que PCC e CV devem ser tratados como organizações criminosas, e não como grupos terroristas. Integrantes do governo também demonstraram preocupação com possíveis impactos sobre a soberania nacional.

A discussão ganhou contornos políticos após parlamentares da oposição defenderem a medida adotada pelos Estados Unidos, enquanto integrantes do governo passaram a alertar para os riscos de precedentes que poderiam justificar pressões ou intervenções externas.

Apesar das divergências sobre a atuação norte-americana, o resultado da pesquisa indica que há apoio significativo da população a medidas mais duras contra as facções criminosas, refletindo a preocupação dos brasileiros com o avanço do crime organizado no país.