31 de julho de 2025
MIGRAÇÃO

Cubanos superam venezuelanos e lideram pedidos de refúgio no Brasil

Solicitações cresceram 10,9% no último ano e atingiram o terceiro maior volume da série histórica, segundo levantamento do Ministério da Justiça

Por Redação
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Perfil dos solicitantes mostra predominância masculina, com 55,9% dos registros, enquanto as mulheres representam 44% dos pedidos - Foto:

Os cubanos lideraram os pedidos de refúgio no Brasil em 2025, ultrapassando os venezuelanos, que ocupavam a primeira posição há vários anos. Os dados fazem parte do estudo Refúgio em Números 2026, divulgado nesta segunda-feira (22) pelo Observatório das Migrações Internacionais (OBMigra), em parceria com o Ministério da Justiça e Segurança Pública.

Ao todo, foram registradas 75.599 solicitações de refúgio no país durante o ano passado, um aumento de 10,9% em relação a 2024. O volume é o terceiro maior da série histórica iniciada em 2010, ficando atrás apenas dos anos de 2018 e 2019.

Os cidadãos cubanos responderam por 41.919 pedidos, o equivalente a 55,4% do total. O número representa um crescimento de 88,1% na comparação com o ano anterior.

Segundo o levantamento, a intensificação da crise econômica e energética em Cuba está entre os principais fatores que explicam o aumento do fluxo migratório. O país enfrenta dificuldades de abastecimento, longos períodos de apagões e agravamento das condições de vida da população.

Os venezuelanos apareceram na segunda posição, com 21.233 solicitações de refúgio. Apesar de a Venezuela ainda enfrentar desafios econômicos e sociais, pesquisadores apontam que mudanças recentes no cenário político do país contribuíram para uma desaceleração do êxodo migratório.

Na sequência do ranking aparecem Colômbia, com 1.432 pedidos, Angola (1.253), Marrocos (888) e Gana (792).

O estudo mostra ainda que mais da metade das solicitações analisadas pelo Comitê Nacional para os Refugiados (Conare) foi registrada na Região Norte do país. Roraima concentrou o maior volume de pedidos decididos pelo órgão, com 16.166 registros, seguido pelo Amapá, com 6.372, e pelo Amazonas, com 2.445.

Entre os pedidos reconhecidos pelo Conare, 94,7% foram enquadrados na categoria de grave e generalizada violação de direitos humanos, principal fundamento utilizado para a concessão de refúgio a grupos específicos, como os venezuelanos.

O perfil dos solicitantes mostra predominância masculina, com 55,9% dos registros, enquanto as mulheres representam 44% dos pedidos. A faixa etária entre 25 e 40 anos concentra a maior parte dos requerentes. Entre os cubanos, no entanto, a maioria dos solicitantes tem mais de 60 anos.

No Brasil, cabe ao Conare, órgão vinculado ao Ministério da Justiça, analisar e decidir sobre os pedidos de reconhecimento da condição de refugiado.